UE quer corte de tarifas industriais de até 65%

A União Européia (UE) afirma que quer um corte de tarifas de importação no Brasil e em outros países emergentes para seus produtos industriais entre 60% e 65%. O recado foi dado por diplomatas de alto escalão de Bruxelas que, antes de irem a Davos, se reuniram em sigilo com diversos governos nos últimos dois dias em Genebra para dizer que não vão aceitar um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC) sem garantir maior acesso aos mercados dos países em desenvolvimento para seus produtos. Os europeus começam a se preparar para um eventual acordo no setor agrícola e não perdem tempo: mostram suas cartas sobre o que de fato querem no setor industrial, próximo capítulo das negociações da Rodada Doha. Para diplomatas, nesse setor os países ricos vão cobrar o preço da liberalização que supostamente aceitarão no setor agrícola. Um representante do Mercosul que participou dos encontros relatou ao Estado que Bruxelas não vai fazer concessões no capítulo industrial. "Eles (europeus) disseram que o corte entre 60% e 65% é a única opção que poderão aceitar e essa é a palavra final de Bruxelas." O corte proposto pelos europeus seria baseado nas tarifas consolidadas de cada país, e não nas tarifas de fato aplicadas. No caso do Brasil, a maioria das tarifas consolidadas é de 35%, quando a média aplicada é de 13%. A proposta exigiria menor proteção sobre alguns setores, além de reduzir a margem de manobra para eventuais políticas do governo de elevar tarifas para proteger certas áreas.

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