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UE quer derrubar barreiras no Brasil

Dinamarca assume a presidência da União Europeia, com a meta de abrir mercados dos Brics e combater o 'protecionismo' brasileiro

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h05

O governo da Dinamarca assume a presidência temporária da União Europeia (UE) amanhã com uma prioridade comercial: obter maior acesso aos mercados de Brasil, Rússia, Índia e China para produtos europeus e, assim, amenizar a recessão que afetará o mercado da UE em 2012. Mas o governo dinamarquês faz um alerta: a proliferação de medidas protecionistas no Brasil precisa acabar, sob o risco de afetar não apenas os parceiros comerciais, como a própria economia do País.

Enquanto na Dinamarca o governo se prepara para fazer uma ofensiva nos mercados emergentes, a diplomacia permanente da UE em Bruxelas poderá pedir consultas bilaterais com o Palácio do Planalto nos próximos meses se constatar que as novas barreiras estão prejudicando suas exportações.

Acesso ao Brics. Diante da constatação de que não são os países ricos quem crescerão nos próximos dois anos, a UE já admite que terá de partir em busca de um novo relacionamento com os mercados emergentes se quiser manter sua influência no mundo e ainda não perder espaço comercial.

"O acesso aos mercados dos países do Brics é nossa prioridade número 1", afirmou ao Estado a ministra do Comércio da Dinamarca, Pia Olsen Dyhr, que vai presidir os debates sobre o comércio no bloco nos próximos seis meses.

Pelos cálculos da UE, uma recessão mais profunda somente será evitada se as empresas locais conseguirem expandir suas entregas para os mercados que ainda crescem. Nesta semana, o Banco Central espanhol indicou que a economia local sofreu uma contração depois que as exportações do país pararam de crescer. O consumo doméstico já havia desabado nos meses anteriores diante dos pacotes de austeridade adotados pelo governo..

O Estado obteve confirmações que o interesse pelos países do Brics não se limitará a uma ação pontual. O bloco europeu iniciará em janeiro uma revisão de sua política externa para estabelecer, até março, uma nova estratégia política de aproximação aos países do Brics.

A reavaliação teria como meta atualizar as prioridades da diplomacia europeia diante das mudanças no cenário politico mundial. A transformação do Brasil na sexta maior economia do mundo, a China passando a ser a maior exportadora e Índia e Rússia despontando como mercados consumidores exigiriam uma revisão das prioridades da União Europeia.

Hoje, a China é o segundo maior destino das vendas europeias no mundo, a Rússia ocupa terceira colocação, a Índia é o oitavo principal destino e o Brasil o nono. Juntos, o Brics consome um a cada cinco produtos exportados pelos europeus.

Diante do peso do bloco emergente, a presidência dinamarquesa estipulou que conseguir um maior acesso a esses mercados é mais importante que qualquer outra iniciativa comercial da UE. Segundo os dinamarqueses, para cada um dos governos emergentes haverá uma estratégia de aproximação. Com a Índia, a esperança é a conclusão de um acordo de livre comércio.

No caso do Brasil, a Dinamarca não quer mais esperar a conclusão de um acordo entre o Mercosul e a UE, em um impasse há cinco anos. Os europeus vão incrementar os contatos bilaterais para derrubar entraves técnicos para seus produtos e ainda buscar vias para fechar acordos de investimentos.

Protecionismo. A proliferação de barreiras comerciais adotadas pelo Brasil é alvo de forte preocupação por parte dos europeus. Os dinamarqueses alertam que a decisão de Brasília de adotar medidas protecionistas em várias áreas está sendo acompanhada com "muita preocupação" por parte dos europeus.

Em Bruxelas, diplomatas europeus confirmaram ao Estado que estão realizando um levantamento de todas as áreas que podem estar sendo afetados pelo novo protecionismo brasileiro. Com a avaliação feita, a UE pretende abrir consultas com o governo brasileiro para tentar chegar a um acordo.

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