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UE quer maior regulação financeira e reforço de US$ 500 bilhões no FMI

Pedido de aumento de recursos do caixa do Fundo será apresentado na reunião do G20 no dia 2 de abril

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

23 de fevereiro de 2009 | 00h00

Líderes políticos dos seis países da União Europeia (UE), reunidos ontem em Berlim, Alemanha, chegaram a um acordo sobre as linhas gerais da proposta de reforma do sistema financeiro internacional que levarão à Cúpula do G20 financeiro, em Londres, em 2 de abril.Entre os consensos, os chefes de Estado e de governo defendem que os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) sejam elevados em US$ 500 bilhões para enfrentar a crise. Os europeus concordam ainda que o aumento da supervisão deve envolver todos os mercados - inclusive os paraísos fiscais -, produtos financeiros e agentes como hedge funds e agências de notação. A reunião foi um dos eventos preparatórios organizados pelos seis países europeus que participarão do G20 - Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha e Holanda. Além dos chefes de Estado e de governo desses países, como Angela Merkel, Nicolas Sarkozy e Gordon Brown, assistiram a reunião os presidentes da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. O acordo de princípios - que resultou em um documento informal, a ser submetido aos demais parceiros da UE - foi anunciado na tarde de ontem. "Os recursos do FMI devem ser dobrados para lhe permitir ajudar seus membros em dificuldades de forma rápida e flexível", diz o resumo dos trabalhos. O texto se refere a "ao menos US$ 500 bilhões" suplementares. Antes do apelo dos europeus, o Japão havia se disposto a investir US$ 100 bilhões no fundo. O apelo europeu pelo reforço do caixa do FMI, integrado por 185 países, veio após os reiterados alertas de que os recursos da instituição podem acabar em caso de uma crise prolongada. A preocupação é grande na UE porque a fragilidade econômica cresce na Europa Central e Oriental. Na sexta-feira, o primeiro-ministro letão, Ivars Godmanis, renunciou em decorrência da pior recessão da UE. Três países da região, Ucrânia, Hungria e Letônia, já recorreram a empréstimos do FMI. Os governos da Romênia e da Sérvia mantêm conversas informais com o órgão, enquanto a Hungria defende a criação de um fundo mundial de US$ 100 bilhões para socorro aos bancos. Áustria e Polônia também enfrentam dificuldades, o primeiro pela exposição a ativos "tóxicos" de seu sistema financeiro e o segundo pela desvalorização de sua moeda, o zloty, que perdeu 50% em relação ao euro em três meses. Um dos problemas vividos pelos Estados do Leste são os programas de apoio aos bancos no Reino Unido, na Alemanha e na França. Entre as cláusulas das nacionalizações e dos empréstimos estão a reabertura de linhas de crédito para financiamento dessas economias. Para tanto, as instituições estão repatriando recursos e fechando os cofres em mercados emergentes do leste. Além dos ex-comunistas, na sexta-feira o ministro das Finanças da Alemanha, Peer Steinbrück, reconheceu que o eventual aprofundamento da crise em países do Ocidente, como Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, poderia obrigar as maiores economias a interceder para garantir a estabilidade da moeda única."Os tratados da zona do euro não preveem nenhuma ajuda em favor de países que se tornem insolventes, mas na realidade os outros países-membros seriam obrigados a socorrer os que se encontrarem em dificuldade", disse Steinbrück.

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