UE quer que Brasil pague a conta na rodada Doha, diz Amorim

Ministro das Relações Exteriores responde às críticas de que País não teria interesse em flexibilizar negociações

BBC Brasil,

17 de outubro de 2007 | 16h11

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu nesta quarta-feira, 17, as críticas feitas pela União Européia e pelos Estados Unidos contra a suposta falta de flexibilidade do Brasil nas negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC).  "A Europa diz que a culpa é nossa porque quer fazer um 'acordo de cavalheiros' com os Estados Unidos e que nós paguemos a conta", disse o ministro em Pretória, na África do Sul.  De acordo com Amorim, desde que o G-20 foi criado, em 2003, a OMC não age mais dessa forma. "A última tentativa de fazer isso foi em Cancún", disse.  A reunião da OMC no balneário mexicano em 2003, apontada como o evento que deveria consolidar um acordo na Rodada Doha, entrou em colapso por causa das divergências entre a União Européia, os Estados Unidos e os países do G-20. Desde então, as negociações, que buscam a flexibilização do comércio internacional, continuaram com poucos avanços e, no momento, encontram-se em um impasse. "Andando para trás" Na semana passada, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, disse que o Brasil "não está ajudando no sucesso de Doha com suas críticas a outros parceiros".  Mandelson pediu que o País e outros emergentes deixem claro que não estão "andando para trás" nas negociações. Em junho, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acusou Brasil e Índia de bloquear as negociações na OMC. O grupo dos países em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte, exige que as nações desenvolvidas abram seus mercados para produtos agrícolas, reduzindo tarifas de importação e eliminando subsídios aos produtores. Por sua vez, a União Européia e os Estados Unidos exigem que os países em desenvolvimento abram seus mercados a produtos industrializados e no setor de serviços. Bush Amorim disse que Bush ligou nesta terça para o presidente Lula. Segundo ele, os presidentes conversaram sobre as negociações da Rodada Doha. A conversa teria durado cerca de meia hora. Bush também teria ligado para o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh - que, como Lula, viajou a Pretória para participar do encontro de cúpula do Ibas, grupo que reúne Brasil, Índia e África do Sul. Segundo Amorim, Bush pediu o empenho do Brasil para continuar de maneira firme nas negociações. "Eles têm interesse em terminar a rodada, isso é uma coisa nítida, assim como nós também temos", disse. Nesta segunda, a OMC decidiu a favor do Brasil no painel que analisou a reclamação brasileira de que os Estados Unidos não cumpriram a decisão da entidade sobre subsídios concedidos aos produtores de algodão americanos. Amorim disse que Lula e Bush não falaram sobre o assunto. "Não precisamos esfregar a ferida, né?", disse o ministro. "Eles reconheceram que perderam, tanto que disseram estar desapontados."

Tudo o que sabemos sobre:
Rodada DohaOMCAmorim

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.