UE quer relançar conversa com Mercosul em reunião com Lula

Com possível fracasso de Doha, União Européia quer retomar negociação bilateral

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 14h22

A União Européia (UE) quer aproveitar a reunião de cúpula entre Brasil e o bloco, que se realiza no início de julho, em Lisboa, para preparar o relançamento das negociações para um acordo de livre comércio com o Mercosul, provavelmente em setembro ou outubro. "Ainda não temos uma data exata, mas a retomada das negociações será discutida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o comissário (José Manuel) Durão Barroso", disse o embaixador da Comissão Européia em Brasília, João Pacheco.Na avaliação dos europeus, a Rodada Doha de liberalização do comércio mundial "não está morta", mas eles já começam a pensar nas alternativas caso não se chegue a um acordo. "Doha é prioridade para nós e temos até o final de julho para avançar, mas se isso não acontecer vamos para a negociação bilateral", disse o embaixador. Pacheco citou setembro ou outubro como datas mais prováveis para a retomada das conversas.As negociações entre Mercosul e União Européia estão paralisadas desde 2004, por falta de acordo entre os dois blocos e também à espera de uma conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que já promoveria parte da abertura pretendida pelos dois blocos.Com o impasse e, pelo menos até agora, o fracasso da Rodada de Doha, os europeus querem retomar as negociações. "Primeiro passo"Questionado sobre a conversa apenas com o Brasil, que não tem um mandato do Mercosul para negociar acordos comerciais em seu nome, Pacheco disse que o contato com o Brasil é apenas o primeiro passo."O Brasil tem um papel muito importante no Mercosul. É importante que cheguemos a um entendimento entre nós e aí, depois, vamos conversar com o Mercosul em conjunto", afirmou o embaixador.Na avaliação do Brasil, que reivindica maior acesso ao mercado agrícola europeu, a negociação multilateral pela OMC é melhor porque é o único foro para discutir o fim dos subsídios aos produtos europeus.Mas o embaixador Pacheco acredita que os europeus têm muito a oferecer em acesso a mercado agrícola, mesmo sem o fim dos subsídios. "De certa maneira, a negociação bilateral é mais fácil. Não estou dizendo que é fácil, mas é mais fácil do que Doha e mais fácil do que em 2004", afirmou.Parceria estratégicaO presidente Lula será recebido no dia 4 de julho em Lisboa para uma reunião de cúpula (cimeira, para os portugueses) que vai lançar uma parceria estratégica do Brasil com a União Européia. "É um reconhecimento da importância do Brasil para o equilíbrio mundial", afirmou Pacheco.O Brasil será o primeiro país da América Latina a firmar uma parceria estratégica com os europeus, que já têm relações deste tipo com Rússia, Índia, China (os outros três integrantes do chamado Bric), Estados Unidos, Canadá e África do Sul. A intenção é facilitar a cooperação em assuntos como biocombustíveis, mudanças climáticas, cooperação para a África e pesquisa científica.No dia 5, em Bruxelas, Lula será o principal convidado de uma conferência internacional sobre biocombustíveis, na sede da União Européia.A Europa tem uma meta de substituir, até 2020, 10% de todo o combustível que consome por combustíveis renováveis, e para isso precisa aumentar a produção e importar. Atualmente, apenas 1% do combustível consumido na região é renovável.

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