UE recebe com frieza proposta de ajudar pobres com alimentos

Comissária da Agricultura quer que subsídios não utilizados sirvam para combater crise em países pobres

Ana Conceição, da Agência Estado,

26 de maio de 2008 | 15h14

Ministros de Agricultura da União Européia (UE) receberam friamente nesta segunda-feira, 26, a proposta de ajudar países pobres a enfrentar o aumento dos preços dos alimentos. A sugestão partiu da comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, que recentemente propôs que os subsídios que não estejam sendo usados pelos produtores europeus sejam gastos para comprar sementes e fertilizantes para países pobres, ou ajudá-los a montar sistemas de microcrédito para a compra de alimentos. Veja também:Entenda a crise dos alimentos  "Eu apóio a idéia de que tenhamos que ajudar os países em desenvolvimento a construir sua própria capacidade de produção agrícola. Mas não sei se esta é a melhor forma de gastar os subsídios não usados", disse o ministro de Agricultura da Eslovênia, Iztok Jarc, cujo país detém neste momento a presidência rotativa da UE. Ele e os outros ministros do bloco estão reunidos em Maribor para discutir assuntos pertinentes ao setor agrícola. O ministro austríaco, Josef Proell, disse aos jornalistas durante o encontro que a UE não pode alimentar o mundo com a política agrícola comum. Sua colega da Holanda, Gerda Verburg, pareceu apenas um pouco mais animada com a proposta dizendo que a idéia é "simpática". "Mas meu temor é que não funcione já que estaremos apenas dando dinheiro (aos países pobres)", disse. "Acredito ser necessário trabalhar em várias frentes com investimentos estruturais, melhorando a produtividade e a pesquisa e investindo em infra-estrutura", acrescentou. Por conta da forte alta dos preços dos alimentos, a UE tem gasto menos dinheiro com subsídios aos produtores agrícolas do bloco. Assim, há dinheiro sobrando nos cofres europeus. A Comissão Européia prepara propostas do que fazer com esta sobra de orçamento neste e no próximo ano. Seriam centenas de milhões de euros, segundo fontes do bloco.  Em 2007, cerca de 1,6 bilhão de euros em subsídios não foram usados pelos produtores. O montante serviu para financiar o programa de satélites Galileu, para a consternação de alguns membros do bloco. O programa é problemático e não tem muitos apoiadores na UE.

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