UE rejeita proposta brasileira do setor têxtil

A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia (UE), rejeitou em princípio a proposta brasileira para um acordo na área têxtil, durante reunião dos representantes técnicos dos 15 países membros, em Bruxelas. No entanto, as negociações devem prosseguir e os europeus não descartam a possibilidade de o acordo ser anunciado ainda na próxima semana.Segundo fontes do bloco europeu, a proposta esbarrou em três problemas: a UE não aceita o direito adicional de alfândega, uma tarifa cobrada pela Marinha Mercante sobre os produtos importados pelo Brasil; também questiona uma outra taxa de 1,5% e ainda não está satisfeita com o engajamento brasileiro para avançar a liberalização do setor têxtil no âmbito do Mercosul."A UE quer o compromisso de que o Brasil está pronto a apoiar a liberalização do setor têxtil e vestuário junto ao Mercosul. Não está claro na proposta esta questão do documento em separado", explica uma fonte.Havia uma grande expectativa política de ambos os lados de que o documento fosse aprovado na reunião de hoje para que o Acordo pudesse ser anunciado na Comissão Mista, Brasil-UE, que acontece na próxima semana, em Brasília."Ainda não está totalmente descartada a hipótese. Nesta quinta-feira vamos notificar a Missão do Brasil, que deve encaminhar o problema ao governo brasileiro", afirma um diplomata envolvido nas negociações.A negociação do setor brasileiro de têxtil e vestuário com a UE começou no dia 14 de março, em Bruxelas. A troca de propostas entre os dois lados sofreu alguns atrasos em relação à previsão incicial.Pelo acordo, a UE suspenderia cotas para dez categorias de produtos e em troca, o Brasil não aumentaria as tarifas vigentes dos têxteis, que variam entre 4% e 20%, além das duas partes se comprometerem a uma série de medidas de facilitação de negócios (barreiras não-tarifárias).As dez cotas brasileiras abrangem os segmentos de fio de algodão, tecidos cru, algodão tinto, sintético e de fibras sintéticas, t-shirt, calças, roupas de cama e mesa e os felpudos.Caso o acordo dos têxteis e vestuário sofra um grande atraso nas negociações, o setor de tecidos de algodão tinto terá suas exportações prejudicas, nos próximos meses, porque somente no primeiro trimestre do ano o setor já exportou à UE 73% de sua cota.Dentro da UE, cerca de 30% das indústrias têxtis e de vestuário estão na Itália. Em torno de 14% na Alemanha e um pouco abaixo, apontam no ranking Reino Unido e França. Entretanto, Portugal e Grécia são os países que mais dependem do setor, tanto na relação industrial, quanto para as exportações.Atualmente, os setores têxtil e vestuário representam um negócio de US$198 milhões para a UE, sendo que as exportações para fora dos 15 países comunitários equivalem a 20% deste valor.O segmento dos produtos de algodão é o forte brasileiro nas exportações para a Europa. Seus concorrentes do mercado internacional para a UE são, por exemplo, a Turquia, China e Marrocos. A troca comercial entre Brasil e UE ficou em torno de US$400 milhões no ano passado. A Associação brasileira de indústria têxtil (Abit) prevê exportações de US$ 1,5 bilhão para este ano e os países da UE representam 20% deste valor.

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