UE retem US$ 12 bilhões para projetos de desenvolvimento

O Fundo Europeu de Desenvolvimento (EDF, em inglês) dispõe de US$ 12,1 bilhões que deveriam ser gastos em projetos de desenvolvimento nos países da África, Caribe e Pacífico (ACP), mas estão retidos. Esse montante, que representa 35% do orçamento do EDF desde 1985, está paralisado por conta da rigidez das regras do Fundo para destinar dinheiro aos projetos. Segundo a Comissão Européia, quando os recursos são dirigidos a determinado país, não podem ser deslocados para outro.Há sete anos, por exemplo, a União Européia liberou a primeira etapa de um montante para a construção de uma estrada em Uganda. Por problemas internos, o governo daquele país não continuou a obra, mas a Europa mantém a verba deslocada para aquela estrada. "Esse é o caso de 10% dos US$ 12,1 bilhões", disse Michael Curtis, porta-voz do comissário europeu de desenvolvimento e ajuda humanitária, Paul Nilsen.Curtis admite que Bruxelas tem consciência do "montante astronômico" parado e está trabalhando para acelerar a distribuição desses fundos de ajuda, deslocando recursos de um projeto para outro. Ele não apóia a intenção de países membros, como a Grã-Bretanha, de transferir parte desta verba bloqueada para fundos internacionais de ajuda - a exemplo do Fundo Global de combate a aids, malária e tuberculose, das Nações Unidas, que já comprometeu todo seu orçamento e precisaria de US$ 4 bilhões nos próximos dois anos para manter as metas de atender mais de 60 países.Para Michael Curtis, tranferir verbas do fundo de desenvolvimento para outros projetos implicaria em aprovação dos 77 países da ACP, além dos 15 da União Européia. Segundo ele, atualmente há US$ 2,8 bilhões já deslocados dos cofres públicos federais e simplesmente parados no EDF, por projetos que não foram para frente em alguns dos países ACP, como Togo, Haiti, Zimbabuwe, Sudão.

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