UE sinaliza que poderá melhorar oferta agrícola ao Mercosul

Pela primeira vez, no processo do acordo biregional entre União Européia (UE) e Mercosul, negociadores europeus sinalizam com a possibilidade de melhorar a oferta agrícola aos quatro países sul-americanos, segundo fontes implicadas na negociação. O aceno foi feito hoje, "de forma não formal", entre diplomatas, enquanto o comissário europeu de comércio, Pascal Lamy, terminava um curto encontro com o ministro do desenvolvimento, indústria e comércio, Luiz Fernando Furlan. Oficialmente, Lamy propôs a Furlan de marcar a reunião ministerial entre os bloco para o dia 28 de agosto, em Bruxelas, sem falar em avanços em agricultura. Extra-oficialmente, a proposta é sentar "à portas fechadas, com três comissários (Lamy, Patten relações exteriores- e Fischler agricultura), de onde poderá sair concretamente um avanço da oferta agrícola europeía" às importações agrícolas do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Negociadores brasileiros, de imediato, reagiram negativamente aos sinais "não formais" de Bruxelas. "Isto não é uma questão de confiança, é uma questão política". Os governos terão que avaliar como fica a posição dos países do Mercosul dentro da negociação multilateral, afirma a fonte de Bruxelas, para não criar margem de dúvida aos parceiros do grupo de Cairns (17 países exportadores agrícolas), que não estão em negociação com a UE, quanto a possíveis acertos biregionais em detrimento das ambições multilaterais. A primeira percepção de fontes do Mercosul é que os europeus querem ter uma mínima indicação do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai no biregional que "do que vier de acesso a mercado em Cancún será bem-vindo e com isso, os países do Mercosul não precisariam brigar por esse tema na OMC", relaxando a presão.

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