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UE só fará nova proposta ao Mercosul após março de 2007

A União Européia (UE) frustra as expectativas de membros do governo brasileiro e deixa claro que não fará uma nova proposta de abertura de seu mercado agrícola ao Mercosul provavelmente até março de 2007. Nos dias 3 e 4 de outubro, os dois blocos se reúnem no Rio de Janeiro depois de meses sem contatos formais sobre as negociações. Enquanto o governo brasileiro acredita que esse seja o momento de que novas concessões sejam feitas, os europeus deixam claro que nada ocorrerá até que se saiba qual será o destino da Organização Mundial do Comércio (OMC). Enquanto isso, pouco mais de uma semana depois de participar da reunião entre ministros do G-20 promovida pelo Brasil no Rio de Janeiro, o diretor da OMC, Pascal Lamy, criticou a realização de grandes encontros para debater uma saída para o impasse nas negociações comerciais internacionais e pede uma "diplomacia silenciosa" de agora em diante. Os comentários de Lamy foram feitos nesta quarta-feira durante a conferência que ocorre na Austrália entre os países exportadores de produtos agrícolas, bloco conhecido como Grupo de Cairns e que inclui o Brasil e outros 17 governos. Durante o encontro desta semana, a Austrália sugere que americanos cortem seus subsídios em mais US$ 5 bilhões e que os europeus reduzam suas tarifas de importação para bens agrícolas em mais 5%. Bruxelas já indicou que a proposta não é aceitável. Na avaliação de Lamy, essa espécie de reunião onde propostas já são rejeitadas antes mesmo do final do encontro deve ser abandonada por enquanto. Há pouco mais de uma semana, o Brasil conseguiu reunir o G- 20(grupo de países emergentes), Estados Unidos, Europa e Japão em Brasília para tentar retomar as negociações, suspensas em julho por falta de entendimento entre os países. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda passou meses tentando convencer outros chefes-de-estado a aceitarem um encontro de cúpula sobre a OMC. Lula conseguiu que o tema entrasse na agenda do G-7, na Rússia em julho. Mas o debate sequer foi incluído na declaração final do encontro das economias mais poderosas do mundo. Para Lamy, negociações precisam agora ter um perfil mais baixo. "Não sugeriria voltar à cena das negociações sem garantias suficientes por meio de contatos bilaterais, diplomacia silenciosa e entendimento de que poderá haver um sucesso", disse. Para ele, a retórica não é suficiente para salvar o processo e negociações silenciosas também são necessárias internamente em cada país com os setores envolvidos. Lamy ainda criticou os governos por terem perdido a visão global das negociações e a noção de perspectiva. "É lamentável que as negociações fracassaram por causa de algumas mil toneladas de bife, algumas toneladas de frango e uns poucos bilhões de subsídios", afirmou. Em sua avaliação, uma retomada do processo pode ocorrer entre novembro deste ano, quando ocorrem as eleições nos Estados Unidos, e março de 2007. Se até o primeiro trimestre de 2007 um progresso for feito, Lamy acredita que a rodada pode ser concluída até o final do ano que vem. Mercosul A Europa também deixou claro nesta quarta que a OMC ainda condiciona sua postura em relação às negociações bilaterais com o Mercosul. Negociadores em Bruxelas revelaram ao Estado que a UE não deve fazer uma nova oferta de redução de tarifas agrícolas ao Mercosul até saber exatamente o que ocorrerá com a OMC no início de 2007. O processo entre os dois blocos também está paralisado diante de uma oferta considerada como insuficiente pelo Mercosul para que seus produtos agrícolas possam ter melhor acesso na UE.Mesmo assim, para a reunião do Rio, os europeus já alertam: não levarão uma nova proposta de abertura de seus mercados agrícolas. "Seremos construtivos, mas vamos apenas manter um diálogo", afirmou um alto negociador europeu. Para ele, as negociações entre e UE e o Mercosul somente serão aceleradas se em março a OMC mais uma vez fracassar em encontrar uma solução para seu impasse.

Agencia Estado,

20 de setembro de 2006 | 18h42

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