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UE teme empresas de outros países

Comissão Européia estuda formas de evitar que setores estratégicos fiquem na mão de estrangeiros

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2007 | 00h00

Depois de décadas adquirindo empresas em todo o mundo e defendendo a queda de barreiras para investimentos, os europeus agora temem que suas próprias companhias sejam compradas por empresas estrangeiras, principalmente chinesas, russas e Oriente Médio.Para frear esse apetite externo, o comissário de Comércio da Europa, Peter Mandelson, sugere que o sistema de golden share seja aplicado pelos governos do bloco, o que evitaria a venda de uma empresa considerada estratégica para a região.''''O desejo europeu de manter controle sobre indústrias importantes e politicamente sensíveis poderia ser resolvido com o instrumento da golden share'''', afirmou o comissário ao jornal alemão Handelsblatt. A golden share é uma ação que dá poderes ao detentor de recusar uma venda e permite que o governo tenha certos poderes em empresas parcialmente privatizada.As ações ainda permitem que os governos tenham um peso maior em decisões estratégicas. Com a golden share, portanto, o governo não precisaria contar com a maioria dos votos de um conselho de acionistas para ter sua posição aprovada.A Comissão Européia sempre se mostrou contrária a esse mecanismo e países como o Reino Unido tiveram de modificar nos últimos anos sua forma de atuar em suas próprias empresas. Mas o temor agora é de que, com o surgimento de novos pólos de poder econômico, setores estratégicos, como energia, aviação e defesa, acabem nas mãos de estrangeiros.''''Estamos em fase de estudos sobre o que pode ser feito e essa (golden share) é uma das possibilidades que poderemos avaliar'''', afirmou o porta-voz da Comissão, Peter Power, ao Estado. Segundo ele, a negociação começará em setembro.Na semana passada, a chanceler alemã Angela Merkel já havia pedido que a União Européia (UE) começasse a discutir um plano para evitar ter suas companhias adquiridas por estrangeiros. Ela concordou com o presidente francês Nicolas Sarkozy sobre estudar o mecanismo de golden share no caso da EADS, empresa do setor aeroespacial. O instrumento permitiria que franceses e alemães vetassem qualquer tentativa de aquisição da companhia por estrangeiros.A maior preocupação é com os fundos formados nos últimos anos nos países exportadores de petróleo e gás, que acumularam reservas sem precedentes para alguns países.Ainda há o caso da China, que conta com reservas de mais de US$ 1 trilhão e quer destinar esses recursos a projetos no exterior. Juntos, portanto, chineses, russos e países exportadores de petróleo teriam recursos de mais de US$ 2 trilhões para aplicar em empresas de todo o mundo. ''''Esses fundos governamentais são um novo fenômeno e levantam novas questões'''', reconheceu o comissário.Mandelson, porém, alerta que a estratégia adotada pela Europa terá de ser uniforme e válida para os 27 países do bloco. ''''As ações devem refletir os interesses regionais, e não de cada país.'''' Ele admite que seria ''''desastroso'''' para a Europa a idéia de que o continente fosse visto como uma ''''fortaleza'''' para investidores. Por isso, caberia à Comissão Européia monitorar de que forma uma golden share poderia ser aplicada.Bruxelas deverá ter uma estratégia sobre a questão até o fim do ano. Outra possibilidade em estudo é a introdução de um modelo parecido com o dos Estados Unidos. Em Washington, o Comitê de Investimentos Estrangeiros pode vetar acordos sensíveis para o país. ''''Temos de encontrar uma forma de os europeus continuarem com o controle de suas empresas, mas sem afastar os investimentos externos'''', disse Mandelson.

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