UE teme escassez na distribuição de petróleo

A Comissão Européia (órgão executivo da União Européia) convocou uma reunião do grupo de fornecimento de petróleo, no qual estão representados os 27 países-membros, na quinta-feira, para analisar o efeito da interrupção do abastecimento de petróleo russo e considerar possíveis medidas em caso de escassez.Em entrevista coletiva, o porta-voz de Energia do Executivo da União Européia (UE), Ferrán Tarradellas, confirmou nesta terça-feira que o corte da provisão que chega através de território bielo-russo afeta Alemanha, Polônia, Hungria, Eslováquia e República Tcheca.Tarradellas disse a um grupo de jornalistas que, no encontro de quinta, os especialistas dos países-membros avaliarão a situação exata das reservas nas refinarias européias - que devem durar por, pelo menos, 14 dias - e estudarão as alternativas de abastecimento.Também avaliarão a possibilidade de recorrer às reservas estratégicas, caso seja necessário.O porta-voz disse que a Comissão Européia mantém contatos tanto com as autoridades russas como com as bielo-russas, a fim de esclarecer o ocorrido, mas ressaltou que "em nenhum caso está intermediando" em uma questão bilateral que deve ser resolvida por ambas as partes.A Bielo-Rússia anunciou na segunda-feira a paralisação do bombeamento do petróleo russo pelo oleoduto de Druzhba com destino à Polônia, Alemanha e Ucrânia, em meio à disputa mantida pelos dois países devido à alta do preço do petróleo e à imposição por parte de Minsk de novas taxas à passagem do petróleo russo.Tarradellas acrescentou que Bruxelas "está considerando" convidar para a reunião da quinta-feira representantes da Rússia e do país vizinho, a fim de que ofereçam suas explicações aos Estados-membros.O porta-voz disse que o comissário de Energia da União Européia, Andris Piebalgs, informou a esses dois países que é "inaceitável" que um fornecedor não relate um problema deste tipo, e pediu também que coloquem fim à situação e tomem as medidas adequadas para que não se repita no futuro.Segundo Tarradellas, a informação requisitada até agora por Bruxelas "não é suficientemente clara" para determinar as causas dos cortes.O porta-voz disse que a UE recebe 8,1 milhões de barris de petróleo diários através da Bielo-Rússia, a metade do petróleo que compra da Rússia, equivalentes a 12,5% do consumo dos países-membros.Sobre os problemas que a Rússia está causando à UE como fornecedor energético - no início de 2006, Moscou interrompeu o bombeamento de gás através da Ucrânia devido a outro desacordo sobre preços -, o porta-voz reconheceu que estas situações "não são boas para a reputação da Rússia como fornecedor confiável".

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