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UE tenta retardar liberalização agrícola na OMC

A União Européia (UE) tenta retardar a liberalização agrícola na Organização Mundial do Comércio (OMC), um dos pontos fundamentais para os interesses do Brasil. Nesta quarta-feira, em Genebra, os diplomatas de Bruxelas condicionaram a reforma do seu sistema de subsídios às exportações a uma reforma completa de todo o tipo de intervenção estatal na agricultura.Com isso, os europeus esperam fazer com o processo de abertura seja lento, o que prejudicará países exportadores de produtos agrícolas. Os europeus destinam US$ 10 bilhões por ano de seu orçamento para esses subsídios, o que acaba distorcendo o mercado e impedindo que o Brasil aumente suas vendas para o exterior.Diante da pressão internacional, os europeus foram obrigados a colocar o tema na mesa de negociações. A estratégia, porém, foi condicionar mudanças nessas práticas a temas como créditos à exportação, ajuda alimentar, impostos de importação e atuação de empresas estatais."Estamos prontos para negociar, mas queremos que todos os temas relacionados à exportação sejam incluídos", afirmou David Richards, principal negociador agrícola da UE. Um dos temas propostos por Bruxelas foi que a OMC desse atenção às empresas estatais que exportam produtos agrícolas, como as do Canadá e Austrália.Para os europeus, essas empresas, ao serem estatais, acabam sendo ajudadas por recursos públicos para exportar. "Isso é equivalente a dar um subsídio", afirmou Richards. Mas os australianos alegam que, se essas empresas serão avaliadas, as companhias multinacionais, como a Cargill, também teriam que ser incluídas no debate. "A ajuda que os governos dão a essas empresas também teria que ser avaliada com cuidado", afirmou um diplomata australiano.Outro tema debatido pelos europeus foi o crédito agrícola, que, segundo Bruxelas, acaba distorcendo o mercado de maneira mais agressiva do que os próprios subsídios às exportações.Enquanto os europeus buscam incluir novos temas nas negociações, as alianças formadas na OMC mudam conforme o assunto. Se no que se refere à ajuda alimentar o Brasil está do lado dos europeus, no tema subsídios agrícolas o País defende uma posição radicalmente diferente de Bruxelas. "Temos que atuar conforme nossos interesses", afirma um funcionário do governo brasileiro.Até março do próximo ano, o rascunho de um acordo agrícola será feito. Mas seja qual for a aliança em que o Brasil se encontrará nos próximos meses, tudo indica que a negociação para a liberalização do setor agrícola não será fácil. Além da relutância dos europeus, os Estados Unidos contam com uma nova lei agrícola que vai na direção contrária ao processo em Genebra. "O cenário é pouco animador", conclui um funcionário da OMC.

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