UE vai abrir mercado para 80 mil temporários estrangeiros

A oferta européia feita em Doha, porém, ainda é considerada como insuficiente pelos países emergentes

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2008 | 17h56

A União Européia oferece a abertura de seu mercado para pelo menos 80 mil trabalhadores temporários estrangeiros por ano, enquanto o Brasil indica que poderá abrir parte de seu mercado para investimentos estrangeiros nos setores de telecomunicações, resseguros, testes laboratoriais e provedores de internet. Na sexta-feira, 25, a Organização Mundial do Comércio (OMC) passou a negociar a abertura dos mercados emergentes em seus setores de bancos, telecomunicações, energia e outros serviços. Em resposta, os emergentes apelaram para que Europa e Estados Unidos facilite a entrada de economistas, engenheiros, professores, advogados e outros profissionais para atuar no mercado de trabalho dos países ricos. O tema é considerado como fundamental para que a Índia receba alguns benefícios na Rodada e acabe flexibilizando sua posição. Ontem, o Ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, deu sinais de que estava satisfeito com as indicações que recebeu. Mas não prometeu qualquer concessão que pudesse desbloquear o processo.  A oferta européia, porém, ainda é considerada como insuficiente. Nas negociações entre Mercosul e a UE, que estão paralisadas, o Brasil pediu que o bloco sul-americano tivesse o direito de "exportar" 20 mil profissionais por ano aos 27 países europeus. Bruxelas respondeu com apenas 3 mil no debate bilateral.  O Brasil sabe que o tema ganhou novas dimensões depois que a Europa passou a adotar novas leis contra a imigração, dificultando a entrada de trabalhadores, a maioria de baixa qualificação. Mas o Itamaraty estima que esse acordo teria outra dimensão, já que trataria de profissionais, e não de trabalhadores não qualificados. Os indianos, que nos últimos anos vem exportando uma grande proporção da mão-de-obra do setor da informática, também insistem que o setor precisará estar num acordo final. Os europeus, porém, condicionaram a oferta a outras concessões. Mas, nos Estados Unidos, a questão se transformou em uma questão de segurança. Com os ataques terroristas sofridos em 2001 e a guerra no Afeganistão e no Iraque, a Casa Branca hesita em aceitar qualquer acordo que preveja um aumento de estrangeiros trabalhando no mercado americano. Para Washington, há como aumentar a cota de estrangeiros. Mas não explicaram ainda como farão. Ontem, apenas indicaram que estaria dispostos a abrir o mercado para massagem tailandesa, um pedido do governo da Tailândia. O tema foi motivo de risada.  No caso do Brasil, a oferta indica que o País poderia fazer concessões em setores considerados como importantes para os países ricos. O detalhamento ficará para setembro.

Mais conteúdo sobre:
Rodada DohaOMCUE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.