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UE vai explorar divisão entre emergentes na Rodada Doha

Mandelson conta com falta de unidade para aprovar maior abertura industrial

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2007 | 00h00

Pressionado, o Brasil começa na Organização Mundial do Comércio (OMC) um esforço para tirar de seus ombros a cobrança de ter de abrir seu mercado para bens industriais nas negociações da Rodada Doha. A partir de hoje, os 150 membros da OMC vão se reunir para debater as propostas de abertura dos setores agrícola e industrial. A estratégia brasileira é de recolocar a agricultura no centro do debate, enquanto os europeus e americanos irão explorar a falta de união entre os países emergentes. Ontem, Uruguai, membro do Mercosul, e outros latino-americanos chegaram a participar de uma reunião com as economias ricas para apoiar cortes profundos nas tarifas industriais, algo que Brasil e Argentina rejeitam.Na semana passada, a OMC apresentou o que acredita pode ser um acordo. De um lado, os emergentes cortariam suas tarifas no setor industrial em mais de 60%. Já os americanos estabeleceriam um teto para seus subsídios agrícolas em US$ 16 bilhões, enquanto os europeus aceitariam um corte de suas tarifas sobre os bens agrícolas de 73%.Tanto Washington como Bruxelas aproveitaram as propostas para indicar que agora cabe ao grupo composto por Brasil, Argentina, Índia, África do Sul, Venezuela e outros ceder no campo industrial. O bloco aceita corte de no máximo 50% em suas tarifas. Para esse grupo de países emergentes, porém, a proposta é inaceitável e desequilibrada, já que exige mais das economias em desenvolvimento que dos países ricos.Não por acaso, o Brasil abrirá os debates hoje alertando para que a ordem de Doha não seja invertida e que a pobreza somente conseguirá ser combatida se as distorções no mercado agrícola forem solucionadas. ''''A mensagem que daremos é que a agricultura é o centro das negociações, e não as concessões que faremos no setor industrial'''', afirmou o embaixador do Brasil na OMC, Clodoaldo Hugueney.Os europeus rejeitam essa avaliação. ''''As dores causadas pelas propostas (nas economias) são partilhadas de forma igual'''', afirmou o comissário de Comércio da Europa, Peter Mandelson, aos ministros dos 27 países do bloco ontem. Ele ainda vai além e garante aos governos europeus que Bruxelas continuará a pressionar por cortes ainda maiores.Mas um fator que Mandelson acredita pode pesar é a divisão existente entre os países emergentes, já que um outro grupo formado por México, Chile, Costa Rica, Peru, Equador e Cingapura apóia as propostas da OMC de abertura dos mercados de manufaturados. ''''Precisamos continuar a pressionar no tema de tarifas industriais diante do surgimento de um grupo mais ambicioso entre os países em desenvolvimento'''', disse Mandelson.As declarações do comissário apontam que os europeus de fato contam com a divisão entre os emergentes para pressionar Brasil e Índia por maiores concessões. Ontem, os europeus promoveram em Genebra uma reunião que chegou a contar com o Uruguai para tentar fechar posições comuns para que os cortes propostos no setor industrial fosse aceitos. Não distante dali, Índia, Brasil, Argentina, Venezuela e outros emergentes tentavam fazer o mesmo na questão agrícola. Mas se todos esses governos concordam que o conteúdo da proposta é inaceitável, ainda há diferenças sobre qual deve ser o tom político do ataque.

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