UE vê etanol como solução energética na Europa

A Comissão Européia, braço executivo da União Européia (UE), irá propor o fim de grande parte dos subsídios diretos aos fazendeiros para a produção do etanol. Ontem, a comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, anunciou que enviará aos 27 países do bloco uma proposta para que a ajuda de 45 euros por hectare plantado seja eliminado. Em sua avaliação, o etanol é parte da solução energética da Europa e as acusações de que o biocombustível estaria gerando a alta dos preços dos alimentos não são corretas. "É injusto transformar o biocombustível em ''bode expiratório'' para os movimentos extremos nos mercados (de matérias-primas)", defendeu. "Não haverá volta (na decisão)", garantiu, em relação ao uso do biocombustível na Europa.Fischer Boel deixou claro que a UE sabe que o etanol é uma solução polêmica, já que os críticos apontam para os efeitos negativos na produção de alimentos e mesmo questionam a validade ambiental do combustível. "O etanol não uma varinha mágica que solucionará todos nossos problemas", afirmou. "Mas é um instrumento importante para nossa política energética e será usado sempre que possível", disse.Meio ambienteHá cerca de dois anos, a UE anunciou a opção do etanol como a solução para vários de seus problemas. Nos últimos meses, o debate se transformou em um questionamento. Agora, o bloco econômico europeu toma uma posição mais realista do potencial do etanol. O biocombustível faz parte da estratégia da UE de reduzir em 20% até 2020 os níveis de emissão de gás carbônico. Até lá, 10% da frota de veículos precisará contar com motores que aceitem etanol."Biocombustíveis são uma arma importante na luta contra mudanças climáticas", afirmou Fischer Boel, lembrando que o setor de transporte já é responsável por um quinto das emissões de gases poluentes e que essa proporção continua crescendo. "O uso de mais etanol pode recolocar as emissões sob controle", disse. PetróleoPara a UE, outro motivo estratégico para o uso do etanol é acabar com a dependência na importação do petróleo. "Biocombustíveis são uma política de seguro contra nossos futuros problemas de abastecimento", afirmou a comissária. Segundo ela, 98% do petróleo na UE é importado. "teremos um problema sério quando as torneiras fecharem um dia e o biocombustível é parte da resposta a isso", alertou. ImportaçãoA comissária ainda garante que o uso de etanol na Europa até 2020 prevê a utilização de apenas 15% de suas terras aráveis para o combustível. Fischer Boel ainda garante que parte da demanda por etanol será atendida por importações do Brasil. Se uma segunda geração de biocombustíveis demorar para chegar, a solução é simplesmente de aumentar a importação."A política européia para o biocombustível é uma tacada de gênio ou um ato de loucura? Nem um nem outro", alertou a comissária. "É uma polícia real para um mundo real que não é branco e preto. Precisamos aprender a usar o etanol da forma correta para ter os melhores resultados", concluiu.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.