UE vê perdas de até 30 bi de euros com novos textos para Doha

Os produtores agropecuários da Europapoderão perder vendas avaliadas em ao menos 30 bilhões de euros(47 bilhões de dólares) por ano com as novas propostasapresentadas para desobstruir as negociações comerciaismundiais, disse um representante dos produtores europeus naterça-feira. "Com o que vemos, a Europa não está recebendo nada de voltacom bens industriais e com certeza nada com serviços", disse àReuters Shelby Matthews, conselheiro de política da COPACOGECA, que representa os produtores europeus. Como parte de um novo avanço para a Rodada de Doha daOrganização Mundial de Comércio (OMC), mediadores publicaramnovas propostas na segunda-feira, explicando onde é possívelhaver acordos sobre bens agrícolas e industriais. Produtores europeus rejeitaram versões anteriores daspropostas, afirmando que os textos exigiam que eles fizessemconcessões demais. "Toda vez que eles trazem papéis, parece ficar cada vezpior para a gente", disse Matthews. Autoridades da UE tinham dito anteriormente que o blocoperderia 18 bilhões de euros por ano em vendas, especificamenteem cereais, laticínios e algumas carnes. Matthews explicou que a estimativa de 30 bilhões de eurospor ano em perdas teve como base a ponta mais baixa dos cortesde tarifas propostos e outras mudanças nos textos, e a perdaaumentaria se o acordo da OMC incluir cortes ainda maiores. De acordo com o último texto, produtos agrícolas sensíveis,que a UE pode escolher para proteger do impacto total doscortes de tarifas, não receberão quase nenhuma proteção dasimportações, disse Matthews. A lista de produtos sensíveis da UE deve incluir carnebovina, laticínios, aves, açúcar, cereais e outros produtosagrícolas. O bloco também ficaria restrito a cerca de 20 produtos quepode proteger no caso de repentinos aumentos de importação,disse Matthews. Produtores europeus estão preocupados que açúcar e arrozpossam entrar na categoria de produtos tropicais, queconseguirão acesso melhor aos mercados de países ricos com oacordo da OMC. Eles também estão insatisfeitos com o que chamam de regrasespeciais para produtores norte-americanos, permitindo que elestenham subsídios maiores para algumas safras do que se os EUAfossem tratados como outros países da OMC, disse Matthews. Um porta-voz do chefe de comércio da UE, Peter Mandelson,afirmou nesta terça-feira que Bruxelas ainda está examinando ostextos e destacou que a UE não aceitará um acordo ruim para aEuropa. (Por William Schomberg)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.