Ultrapar traça plano ambicioso para Extrafarma

Dona dos postos Ipiranga espera estar pronta para acelerar expansão da rede de farmácias a partir de fevereiro; estratégia deverá incluir novas aquisições

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2013 | 02h12

A diretoria da Ultrapar, holding que controla empresas como a Ipiranga e Ultragaz, aproveitou encontro com analistas e investidores em São Paulo para demonstrar o apetite com o qual ingressa no setor de varejo farmacêutico. Após adquirir em setembro a Extrafarma, ativo que deverá ser incorporado efetivamente aos resultados da Ultrapar a partir de fevereiro de 2014, o grupo traça planos ambiciosos nesse mercado.

Além de ter a meta de quadruplicar o resultado da Extrafarma em um período de cinco anos, a Ultrapar sinaliza que a rede pode ser um veículo para o processo de consolidação do setor. O primeiro passo, porém, deve ser interno.

A Ultrapar priorizará a integração das atividades e a elaboração de um plano de crescimento mais acelerado. De acordo com o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Ultrapar, André Covre, a Extrafarma tem crescido a uma taxa de 40 a 50 lojas abertas por ano. A RaiaDrogasil, uma das grandes do setor, tem aberto em média 130 lojas por ano.

Esse número é considerado uma referência para o crescimento da Extrafarma no médio prazo. A meta, segundo Covre, é que os números cresçam gradativamente a partir de 2014, até chegar a um ritmo de abertura de lojas semelhante ao visto na concorrente. Hoje, a Extrafarma tem 200 lojas localizadas nas regiões Norte e Nordeste do País. "Não conseguimos saltar de 50 para 130 lojas de um ano para o outro. Mas o número de 130 é algo que podemos alcançar em alguns anos", disse o executivo.

Com a abertura possível de mais de 500 lojas nos próximos cinco anos, a Ultrapar acredita que poderá alavancar o Ebitda da Extrafarma de R$ 77 milhões, valor estimado para 2013, para R$ 300 milhões. A rede farmacêutica, que se tornará a quinta empresa controlada pela Ultrapar, passaria a trazer um resultado em 2018 equivalente ao que hoje é obtido pela holding com a Ultragaz, distribuidora de gás de cozinha.

Essa projeção, porém, considera apenas o crescimento orgânico da Extrafarma. Mas o histórico de 17 aquisições nos últimos sete anos e as declarações dadas pela diretoria da Ultrapar mostram que a expansão da rede também se dará via aquisições ou fusões.

"Analisando a estrutura do mercado brasileiro, observamos que a consolidação ainda está em estágio inicial. A participação de mercado das cinco maiores redes é de 30%", destacou o presidente da Ultrapar, Thilo Mannhardt. Em países como México e Chile, as cinco maiores empresas do setor respondem por mais de 70% do mercado, conforme a apresentação da Ultrapar.

Perspectiva. Essa é uma das razões que leva o executivo a acreditar que o forte crescimento do setor de varejo farmacêutico se manterá "por um bom tempo". Ele também citou outros aspectos para justificar a previsão, como a expectativa de envelhecimento da população e o maior consumo de produtos de higiene e beleza.

Além disso, o maior número de pessoas empregadas resultará em um crescimento no número de brasileiros atendidos por planos de saúde e, consequentemente, em maior prescrição de remédios, assim como a melhoria da renda do brasileiro contribuirá para um maior consumo de produtos como os medicamentos genéricos. O Brasil tem hoje um consumo per capita de medicamentos inferior ao de países como a Argentina.

Tudo o que sabemos sobre:
economia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.