Tiago Queiroz/Estadão - 3/32020
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Um ano de boas lições para o investidor

Temos de considerar que o que estamos passando modifica nosso comportamento, o modo de vermos o mundo

Fabio Gallo, O Estado de S. Paulo

14 de dezembro de 2020 | 05h00

Estamos próximos do final de um ano muito difícil. A pandemia mudou nossas vidas. A vida financeira de muitas famílias foi afetada muito fortemente. Portanto, é oportuno refletirmos sobre as lições aprendidas neste ano maluco. 

Alguns analistas argumentam que, embora o ano tenha sido muito desafiador, para quem está acostumado com o nosso mercado financeiro não assustou muito. Em tese, os problemas são os de sempre. Eu tendo a concordar numa visão mais ampla. Mas, observando o momento com mais cuidado, os desafios à área da saúde, com muitas mortes e outras consequências em nosso cotidiano sem precedentes, e também os conflitos políticos e tensão social, o ano foi dramático. 

Temos de considerar que, sem dúvida, o que estamos passando modifica nosso comportamento, o modo de vermos o mundo e as pessoas, há muitas coisas que serão ressignificadas em nossas vidas. Assim, buscarmos apreender as lições vividas neste período é importante para termos um futuro melhor.

Algumas lições são clássicas dentro do mundo de finanças, mas com novas roupagens e mais cores. Uma primeira lição é que sempre devemos manter uma rede de segurança. E, quase como um corolário, a segunda lição é que diversificação é essencial, um clichê, mas que se mostrou muito importante. Particularmente, aqueles que diversificaram em títulos no exterior.

Outra lição: em certas situações, jogar parado é uma boa estratégia, saber lidar com o sentimento de impotência foi positivo, em momentos de muita turbulência não sair da posição é prudente, evita erros. Decisões com base na emoção podem levar a grandes prejuízos, aqui temos outra lição. Muitos investidores no início do ano ficaram entusiasmados e apostaram alto. O excesso de confiança trouxe muitas dores de cabeça. Esperar pelo melhor momento para investir não funciona, o correto é estabelecer uma estratégia de longo prazo. Mesmo porque este ano nos mostrou que não é possível fazer previsões de curto prazo sobre o mercado.

Outra lição importante foi que, por pior que a situação esteja, ela pode piorar. Quem não acreditar, veja o gráfico do Ibovespa de março passado. Momentos ruins também apresentam grandes oportunidades. Aqui vai mais uma das máximas de Warren Buffett: “tenha medo quando os outros são gananciosos e ganancioso quando os outros estão com medo”.

Outra lição é que devemos manter o planejamento, mas que rebalancear a carteira faz parte. Aprendemos que devemos ficar de olho nas empresas que foram mais eficientes em se adaptar à nova situação, elas se saíram melhor. Importante também foi entender que devemos nos livrar do que pesa sobre nós porque podemos viver com menos coisas. 

Por último, e essencial, é entender que temos de ser otimistas; a despeito de tudo, a vida continua e vamos superar o desafio atual.

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