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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

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Celso Ming
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Um bom começo

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou ontem, no Rio, o primeiro leilão de áreas em terra para produção de gás natural. Foi a 12.ª Rodada de Áreas Exploratórias, que conseguiu outorgar 72 dos 240 blocos oferecidos e garantiu uma arrecadação com prêmios de assinatura de R$ 165 milhões. A Petrobrás sozinha ou em consórcio com outras empresas ficou com 49 blocos.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2013 | 02h10

O leilão foi precedido por uma tardia oposição de grupos ecologistas. A principal crítica é a de que a exploração dessas áreas abre caminho para a utilização da tecnologia de craqueamento hidráulico, que consiste na injeção direta, a altas pressões sobre as camadas de xisto, de uma mistura de água, areia e agentes químicos, que se destina a libertar o gás aprisionado nos folhelhos.

A crítica é a de que, além de exigir enorme quantidade de água doce, essa tecnologia pode contaminar os lençóis freáticos e os aquíferos. Daí porque, argumentam algumas associações preservacionistas, seria preciso adiar o leilão até que se chegue a um entendimento sobre as melhores condições de exploração ou, se não isso, até que fosse definitivamente proibida a atividade, como ocorreu em alguns países ricos, caso da França e de algumas regiões dos Estados Unidos.

Essas críticas não são suficientes para paralisar o processo de licitação. Primeiro, porque não necessariamente terá de ser usado o processo de fraturamento hidráulico; e, segundo, porque há avanços no emprego dessa tecnologia que evitam ou reduzem substancialmente os riscos de contágio.

Até recentemente, a exploração de gás natural não foi considerada importante no Brasil. Mas o jogo mudou e vai mudar mais ainda. O gás natural já alcança cerca de 10% da matriz energética brasileira (veja gráfico) e tem uma demanda industrial cada vez maior. Também é crescente o uso de energia elétrica de fonte térmica para suprir os picos de consumo.

A exploração do gás de xisto no mundo ganhou nova importância. Em seis anos (até 2020), os Estados Unidos se tornarão autossuficientes e exportadores de hidrocarbonetos. Hoje, esse gás está disponível no mercado dos Estados Unidos a um preço médio de US$ 4 por milhão de BTU, substancialmente mais baixo do que os US$ 12 a US$ 16 por milhão de BTU negociados em outros países, inclusive aqui no Brasil.

A revolução do xisto nos Estados Unidos deverá ter impacto estratégico relevante na medida em que reduzirá a dependência das grandes economias do fornecimento de petróleo do Oriente Médio, região sujeita a intermináveis conflitos militares e políticos.

O Brasil não dispõe de um mapeamento geológico confiável de suas reservas de xisto. Também falta para o setor um marco regulatório consistente. No entanto, o melhor jeito de atacar essas limitações é começar a exploração o quanto antes. Não se encontrarão as melhores soluções nem o caminho mais curto e mais barato para a exploração do gás natural em terra no Brasil se o processo não começar e se os eventuais problemas não forem conhecidos para em seguida poderem ser equacionados.

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