Um bom momento para brasileiro investir lá fora

A crise econômica mundial abriu um leque de oportunidades globais para o setor privado nacional. Não apenas para o meio empresarial, mas também para as pessoas físicas. Baseado nessa constatação, o advogado Renato Ochman, titular do escritório Ochman Advogados Associados, de São Paulo, uma espécie de butique jurídica especializada na área de fusões e aquisições, acredita que em poucos momentos na história do País existiu uma conjuntura tão favorável para quem quer investir lá fora.

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

Gaúcho de nascimento, torcedor de carteirinha do Grêmio de Porto Alegre, Ochman, aos 49 anos, vem registrando neste ano um interesse incomum de parte de empresas brasileiras em busca de internacionalização. "Nosso movimento triplicou no primeiro semestre de 2010", diz Ochman, que registra hoje 15 negociações em carteira, contra três no mesmo período do ano passado. "São empresas que querem associar-se ou simplesmente adquirir o controle de companhias fora do Brasil." Segundo ele, o processo de internacionalização, traduzido nos US$ 15 bilhões de investimentos brasileiros diretos projetados pelo Banco Central para 2010, veio para ficar por um bom tempo. "Os ativos nos Estados Unidos e na Europa estão baratos, o que provocou o interesse de uma retomada de investimentos de empresas brasileiras nesses mercados", diz Ochman.

Para ele, não faz o menor sentido a gritaria de corte xenófobo, que vê no processo de internacionalização o desvio de recursos e exportação de empregos que poderiam estar sendo criados no Brasil. "É uma visão míope. Primeiro, porque os lucros gerados lá fora pagam impostos aqui dentro", diz Ochman. "Segundo, porque a internacionalização permite às empresas acesso a novas tecnologias, ao aprimoramento gerencial e a formas mais modernas de relacionamento com os consumidores."

Retornos. A possibilidade de se obter excelentes retornos para o capital lá fora não se restringe às corporações, incluindo os investidores pessoas físicas. "Tanto num caso quanto no outro, oportunidade só surge para quem está prestando atenção", diz Ochman. "Em relação às pessoas físicas, o setor que tem vingado é o imobiliário". Embora, num primeiro momento, o foco dos investidores individuais tenham sido os imóveis residenciais, começa a haver uma procura por imóveis comerciais, não apenas para renda, mas com vista à valorização patrimonial a médio prazo.

Aí, sustenta o advogado, o mercado mais atraente é o americano, por conta do seu volume de negócios, liquidez e linhas de financiamento. "Não diria o mesmo da Europa, onde há maior regulação, custos mais elevados de manutenção dos imóveis e liquidez mais difícil", afirma Ochman, que tem viajado pelo menos uma vez por mês para o exterior a serviço dos clientes. "Tem até um amigo meu que diz que sou o único gremista internacional que ele conhece."

DESGASTE CARO

US$ 42 bi

é o custo do estresse no País, medido em queda de produtividade e aumento das faltas no trabalho, além da elevação dos gastos com assistência médica, de acordo com a Associação

Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).

VAREJO TÊXTIL

Consumo aquecido ameaça abastecimento

Os varejistas têxteis estão preocupados com a ameaça da falta de matéria prima no mercado brasileiro num momento de consumo aquecido. Segundo a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), a falta de tecidos para abastecer as confecções provocou um déficit de US$ 494 milhões na balança comercial da indústria nos sete primeiros meses do ano. O valor é 20% superior ao do mesmo período de 2009. "A lacuna entre o ritmo de crescimento do varejo e da indústria fica cada vez mais clara", diz Sylvio Mandel, presidente da Abvtex. Segundo ele, mesmo com o aumento das importações, o risco do desabastecimento se mantém. Isso porque, desde o ano passado, as vendas no varejo crescem o dobro em relação à produção da indústria. "Com a falta de matéria prima, o Natal corre o risco de atrasos na entrega", diz Mandel. Para evitar o problema, indústria e varejo estão debatendo a questão com o governo. "É preciso que sejam criados mecanismos de apoio à modernização e expansão do parque industrial brasileiro", afirma Mandel.

VINHO

Comercialização da bebida em caixa dispara no País

A venda de vinhos brasileiros em caixa, conhecido no exterior como bag in box, cresceu 11 vezes no ano passado, atingindo um volume de 976 mil litros e receitas estimadas em cerca de R$ 40 milhões, ante os 85 mil litros comercializados em 2008. Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), as vinícolas brasileiras apostam no crescimento das vendas do vinho em caixa: enquanto países como Noruega, Suécia e Austrália embalam mais de 50% de sua produção com o bag in box, no Brasil a participação do modelo gira em torno de 1%. Pesam a favor do vinho em caixa o custo 30% inferior ao do engarrafado, além da maior durabilidade da bebida após ter sido aberta.

MERCADO DE LUXO

Herdeiro da Patek Philippe lança relógio de R$ 200 mil

O empresário francês Thierry Stern, herdeiro e presidente da Patek Philippe, marca objeto de desejo da relojoaria mundial, desembarcará em São Paulo no início de setembro. Consta de sua agenda o lançamento de relógios na loja da H. Stern, representante exclusivo da Patek Philippe no País. Na ocasião, Stern, que sucedeu ao pai Philippe na direção do grupo, apresentará um relógio na faixa de R$ 200 mil. Com 165 anos de existência, a longeva Patek Philippe é uma das poucas empresas familiares do mercado de alto luxo ainda não engolidas por um dos grande grupos globais do setor.

EXPORTAÇÕES

Vendas para o Iraque devem chegar a US$ 1 bi

As exportações brasileiras para o Iraque totalizaram US$ 344 milhões no primeiro semestre do ano, um volume 44,5% superior ao mesmo período de 2009. Segundo a Câmara Brasil-Iraque, frango, açúcar, carne bovina, peixe, instrumentos cirúrgicos, tratores e máquinas niveladoras de solo, usadas na construção civil, além de instrumentos cirúrgicos, encabeçam a lista das encomendas iraquianas, com cerca de 80% do volume total. A expectativa da Câmara é que o País feche 2010 com US$ 1 bilhão exportado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.