Um calote, dois presidentes e três reestruturações

Em dezembro de 2001, o presidente provisório Adolfo Rodríguez Sáa anunciou o calote dos US$ 81 bilhões de dívida com os credores privados, o maior default da História moderna. O Congresso argentino em peso aplaudiu a decisão, que transformou o país em pária dos mercados mundiais.

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2013 | 02h09

Quatro anos depois, em 2005, o então presidente Néstor Kirchner reestruturou a maioria dos títulos em estado de calote, oferecendo aos credores mais prazos para pagamento e redução do valor nominal dos títulos. A maioria aceitou a proposta. Mas na época 23% dos credores não aceitaram a oferta, transformando-se em "holdouts".

Para indicar que não haveria novas ofertas, Kirchner aprovou a "lei ferrolho", que impedia novas reestruturações. Na ocasião, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, afirmou: "Quem não aceitou a troca de títulos ficará a ver navios!". Porém, os donos desses títulos viraram pedra no sapato do governo, impedindo que o país pudesse ter acesso ao mercado de créditos.

Kirchner teve de recorrer ao então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que se tornou o único comprador externo de títulos argentinos. Mas, desde 2008, mergulhado em problemas financeiros internos, o líder bolivariano deixou de lado as compras desses bônus, complicando as fontes de financiamento da administração Kirchner, que começou a rumar para o déficit fiscal.

Em 2010, após pressões dos mercados internacionais, a presidente Cristina Kirchner encaminhou uma proposta de reestruturação com os credores que haviam ficado fora em 2005 e obteve adesão de mais de dois terços dos "holdouts" remanescentes. De US$ 18,3 bilhões em títulos que ainda estavam em estado de calote foram trocados títulos no valor de US$ 12,06 bilhões.

Mas diversos fundos de investimentos não aceitaram e continuaram com ações na Justiça internacional, exigindo o pagamento de 100% do capital mais juros. No ano passado, Cristina e seus ministros afirmaram que não fariam uma nova reestruturação. Porém, nos últimos meses, a realidade se impôs e a presidente teve de ceder, convocando nesta semana uma nova troca de títulos, a terceira em oito anos.

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