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Um celular por US$ 22 mil

A telefonia celular brasileira nasceu há exatamente 20 anos no Rio de Janeiro, com a inauguração do primeiro serviço pela antiga Telerj, concessionária do Sistema Telebrás. Como a demanda era muito superior à oferta, a operadora resolveu estabelecer uma barreira para "controlar a demanda". Passou a exigir uma caução equivalente a US$ 22 mil, a ser retida por um período mínimo de dois anos dos assinantes.

ETHEVALDO SIQUEIRA, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Na devolução, a concessionária só pagava o valor corrigido pelos índices de inflação. Mesmo nessas condições leoninas, quase 2 mil cariocas aderiram ao plano da Telerj.

A maioria dos aparelhos de 1990 eram celulares veiculares, assim chamados porque eram instalados dentro de veículos. Tijolões analógicos, eles pesavam quase 5 quilos e sua bateria, fora dos veículos, só tinha autonomia para 30 minutos de conversação.

Vale a pena recordar outros eventos mundiais e brasileiros ocorridos na época da introdução do celular no Brasil. Em novembro de 1989, o mundo assistia à queda do Muro de Berlim, prenunciando também o desmoronamento da União Soviética.

No Brasil, era a eleição de Fernando Collor, na primeira eleição livre e direta ocorrida nas últimas três décadas no Brasil, desde a vitória de Jânio Quadros em 1960.

O ano de 1990 é rico em acontecimentos extraordinários. Em fevereiro, o mundo saudava a libertação de Nelson Mandela, depois de 27 anos de prisão, que antecipava o fim do apartheid na África do Sul.

Em abril, era posto em órbita terrestre o Telescópio Espacial Hubble, que multiplicaria por dez o número de informações relevantes sobre o Universo de que dispunha a humanidade até então. Em outubro, começava a reunificação da Alemanha.

E no final desse ano, era feito o anúncio da maior invenção de nossos tempos: a teia mundial ou world wide web (WWW), pelo físico inglês Tim Berners-Lee. Essa linguagem viabilizou a internet em todo o planeta.

Expansão. Em dezembro de 1991, é a vez de Brasília lançar sua rede celular, atendendo inicialmente a 2.500 assinantes. Ao longo de 1992, diversas capitais brasileiras passam a ter seus sistemas celulares, a começar de Salvador.

No final desse ano, Londrina e Uberlândia são as primeira cidades do interior a ter serviço de telefonia móvel.

Finalmente, em 1993, São Paulo se torna a 14ª cidade do País a dispor de celular. Sua rede inicial não passa de 21 mil terminais. A comercialização é feita por um valor equivalente a US$ 3.500 - sem incluir aí o preço do aparelho celular.

As telecomunicações brasileiras ganham novas perspectivas com a posse do ministro Sérgio Motta, das Comunicações, em janeiro de 1995. No ano seguinte, começa o processo de liberalização setorial, com a abertura da Banda B do celular à competição.

Concorrência. O leilão da Banda B rende mais de R$ 8 bilhões. A BCP, joint venture da americana Bell South e do Grupo Safra, compra a segunda licença de celular da Grande São Paulo por R$ 2,5 bilhões - o que, na época, também correspondia a quase US$ 2,5 bilhões.

Após esse leilão, mais 10 operadoras da Banda B passam a competir em todo o Brasil com as empresas do Sistema Telebrás, que atuam na Banda A.

Com a competição, chega a tecnologia digital. E os preços despencam. A BCP passa a competir com a Telesp Celular com a tecnologia digital TDMA. E bate um recorde mundial, ao comercializar 1 milhão de celulares em apenas 9 meses.

O maior destaque brasileiro de 1997 é a aprovação pelo Congresso da Lei Geral de Telecomunicações (LGT), que muda radicalmente o cenário setorial, a começar da criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

O ano de 1998 é o da privatização da Telebrás, ocorrida em 29 de julho. O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, não chegou a ver o resultado de seu trabalho porque faleceu em abril.

No dia da privatização da Telebrás, após 25 anos de atividade, a estatal legava ao Brasil a densidade franciscana de apenas 14 telefones por 100 habitantes, num total 24,5 milhões de acessos (19 milhões fixos e 5,5 milhões móveis ou celulares). O Brasil tinha, então, 4 milhões de internautas.

O crescimento da telefonia celular a partir da privatização da Banda B e da Telebrás é explosivo. Em 2003, o número de telefones móveis em serviço ultrapassa o de telefones fixos no Brasil: 40,5 milhões móveis contra 39,5 milhões de fixos.

O cenário de 2004 é de retomada do crescimento mundial da internet, depois de ultrapassar anos de baixo crescimento em decorrência da bolha. Neste ano, a mexicana Telmex compra a Embratel pagando US$ 400 milhões à MCI norte-americana, equivalente à metade do valor de privatização da empresa brasileira.

A empresa mexicana já controlava a operadora celular BCP (atual Claro). O ano de 2008 é o da chegada da terceira geração (3G), que hoje já alcança quase 20% do total de assinantes do País.

Trajetória. A seguir, alguns dados que mostram o crescimento da telefonia celular nos últimos 20 anos: em 1994, um total de 800 mil celulares em serviço; em 1998, a rede alcançou 6,5 milhões; em 2000, com o total de 20 milhões; em 2003, alcança o total de 47 milhões; em 2004, chega a 65 milhões; em 2006, quebra a barreira dos 100 milhões; em 2008, vai a 150 milhões.

Neste final de 2010, se aproxima de 200 milhões celulares em serviço.

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