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Um cheiro de mudança na política monetária

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), apesar de ambígua, exala algum odor de mudança no tratamento da política de meta de inflação.

, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Enquanto o comunicado divulgado no final da reunião do dia 8 parecia dar como certo um aumento da Selic na reunião de janeiro de 2011, a leitura da ata agora divulgada suscita uma grande dúvida, e até deixa entrever uma mudança na política do Copom.

Cabe notar que o Banco Central (BC), desde que divulgou seu índice de atividade econômica (IBC-Br) alguns meses atrás, havia mudado sutilmente sua política, deixando a taxa básica de juro no mesmo nível e levando em conta a queda da conjuntura econômica, malgrado a perspectiva de um aumento das pressões inflacionárias, que, aliás, como reconhece a ata divulgada ontem, se fortaleceram nos últimos meses.

O grande passo da mudança foi dado, no entanto, quando as autoridades monetárias, em novembro, decidiram aumentar os recolhimentos compulsórios para conter a expansão de crédito, e fixaram regras menos generosas para alguns financiamentos de longo prazo. Essas medidas, de natureza "macroprudenciais", na época foram consideradas complementares pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, mas não substitutivas de um aumento da taxa básica.

O texto da ata já acusa uma visão diferente, ao notar "que há certa equivalência entre ações macroprudenciais e ações convencionais de política monetária" e que, "a depender das circunstâncias, ações macroprudenciais podem preceder ações convencionais de política monetária".

É importante registrar essa mudança, pois, num momento em que o futuro governo se prontifica a cortar despesas, existe uma que pesa muito no orçamento: a dos juros pagos sobre a dívida mobiliária com taxa de 10,75%, e que poderá tornar pouco viável a emissão de bônus que o governo imaginou para obter recursos de longo prazo.

Embora reconheçam que a inflação é mais robusta do que haviam previsto, os membros do Copom mantiveram a taxa Selic pretextando que "será necessário tempo adicional para melhor aferir os efeitos dessas iniciativas (medidas de novembro) sobre as condições monetárias".

Apesar de ter como base uma previsão de 5,20% para a inflação (IPCA) de 2011, os membros do Copom experimentam esta nova política, imitando a China. É possível que, na visão deles para o próximo ano, consideram que o governo de Dilma Rousseff será capaz de conter as pressões que decorrem do déficit público...

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