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Um Copom agressivo

A atual diretoria do BC já obteve credibilidade entre analistas e investidores

Fábio Alves, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 04h00

Crescem a cada semana as apostas de que o Banco Central vai encerrar o atual ciclo de corte de juros, iniciado em julho passado, trazendo a taxa Selic para ao redor de 4,0% ao longo de 2020. Há até quem projete juros básicos a 3,75%.

Isso porque é cada vez maior a percepção de que, além dos fatores técnicos corroborarem tal movimento, como uma dinâmica mais benigna de inflação, a gestão atual do BC é mais agressiva na condução da política monetária do que as antecessoras.

Ou seja, na visão de muitos analistas, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e os outros membros do Copom não hesitariam em cortar ao máximo os juros básicos num curto espaço de tempo mesmo que, com a recuperação da economia e um eventual fechamento mais rápido do chamado hiato do produto, o BC seja forçado a voltar a elevar os juros novamente sem a devida transição entre um ciclo de afrouxamento e outro de aperto monetário.

Por enquanto, o consenso das projeções, conforme a mais recente pesquisa Focus, do BC, é de que a taxa Selic encerrará 2019 a 4,50% e ficará nesse nível até o fim de 2020. Para a reunião do Copom hoje, é majoritária a aposta de um corte de 0,50 ponto porcentual para 5,0%.

Conforme a Focus, a estimativa de inflação neste ano é de 3,29%, bem abaixo da meta de 4,25%. Para 2020, a projeção do IPCA é de 3,60%, também abaixo da meta de inflação para o ano que vem, de 4,0%.

“É uma questão de estilo, ou digamos, de apetite de risco”, diz um experiente economista. Para ele, como as duas principais figuras do Copom – Roberto Campos Neto e Bruno Serra Fernandes, diretor de política monetária – são egressos do mercado financeiro, eles são percebidos como “risk-takers”, ou tomadores de risco, ao contrário do Copom da gestão anterior, de Ilan Goldfajn e de Carlos Viana (diretor de política econômica), que tinha um perfil mais acadêmico.

Na última reunião do Copom, em setembro, o comunicado que acompanhou a decisão de cortar os juros em 0,50 ponto surpreendeu o mercado pelas projeções de inflação mais baixas do que o esperado, mesmo considerando uma taxa de câmbio mais depreciada. Além disso, o tom do comunicado sinalizou para analistas e investidores que uma nova redução de 0,50 ponto era praticamente certa.

Ninguém esperava esse tipo de sinalização, praticamente contratando novos cortes de juros. Tanto assim que, logo após a divulgação do comunicado, várias instituições revisaram oficialmente suas apostas para a Selic, passando a projetar uma taxa mais baixa ao fim do ciclo – enquanto, o mais comum é esperar a divulgação da ata da reunião do Copom para fazer ajustes nas projeções.

Não à toa que uma parcela do mercado precifica a possibilidade – muito pequena, entre 10% a 15% – de o Copom acelerar o ritmo de redução de juros para um corte de 0,75 ponto na reunião de hoje. Essa aposta acabou perdendo força após o IPCA-15 de outubro, que subiu 0,09%, acima da expectativa do mercado, de alta de 0,03%.

Se, contudo, o Copom ratificar o consenso das apostas e reduzir os juros em 0,50 ponto, o ciclo atual já acumularia uma redução de 1,50 ponto porcentual da Selic.

Seria razoável então supor que, após essa decisão, o Copom já entraria na reta final do atual afrouxamento monetário e que, portanto, o comunicado sinalizaria uma redução no ritmo de corte e, por tabela, que o fim do ciclo estaria próximo?

Todavia, se a percepção de parcela do mercado sobre um perfil mais agressivo dessa gestão do BC para a política monetária estiver correta, seria razoável esperar que o Copom mantenha inalterado o comunicado que acompanhará a decisão sobre juros. Isso sinalizaria para o mercado que o fim do ciclo não é iminente e que os juros poderão cair abaixo do consenso atual para a taxa terminal da Selic, de 4,50%.

De qualquer forma, a atual diretoria do BC já conseguiu angariar credibilidade entre analistas e investidores. E as expectativas inflacionárias comportadas lhe dão crédito para testar limites históricos de baixa para a Selic, mesmo que, no futuro próximo, tenha de voltar a subir os juros para lidar com eventual pressão inflacionária. 

*COLUNISTA DO BROADCAST

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