Um domingo para atualizar a agenda do celular

Para quem não tem smartphone ou não confiou nos aplicativos disponíveis, o jeito foi acrescentar o nono dígito à mão

LUCAS HIRATA, RODRIGO PETRY E LUCAS HIRATA , O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h09

Com um aparelho de celular que já acumula sete anos de vida, a bibliotecária Aline Tavella teve de mudar um a um os mais de 200 contatos que tem na agenda do telefone. O celular dela não trabalha com os sistemas operacionais Android, iOs ou Blackberry, para os quais foram desenvolvidos aplicativos que fazem a alteração automaticamente do nono dígito - mudança que começou a vigorar na área com DDD 11 (veja acima).

"Demorei meia hora para atualizar metade dos contatos e devo levar mais 45 minutos para terminar", disse a bibliotecária. Ela preferiu alterar primeiro os números que usa com mais frequência, mas continuará o processo gradativamente por ordem alfabética.

A falta de tecnologia dos aparelhos não foi o único motivo que levou algumas pessoas a alterarem os números manualmente. O analista comercial Moisés Cona possui um smartphone Nokia e poderia ter instalado um aplicativo para fazer a atualização. No entanto, ele ficou receoso ao ler que alguns contatos poderiam ser apagados no processo. "Os aplicativos indicam fazer um backup. Achei melhor nem arriscar, porque recuperar os números daria muito mais trabalho."

O professor Renato Nunes até tentou utilizar o programa SP+9 para o iPhone 3, mas, segundo ele, o aplicativo só conseguiu alterar 10% de sua agenda. Por isso, Renato recorreu ao método manual e aproveitou o processo para apagar alguns contatos antigos ou de que não precisava mais.

Em segundos. Por outro lado, os aplicativos ajudaram muitos usuários a economizar tempo com a atualização da agenda. A estudante de Medicina Amanda Loretti também tem um iPhone e gastou poucos segundos para instalar o programa. "Baixei um aplicativo de graça e atualizei toda a minha agenda em dois segundos. Já liguei e deu tudo certo."

O único problema é que o histórico de mensagens passou a mostrar apenas números desconhecidos, diz a estudante. "Mas eu não ligo para isso, deletei o histórico e as novas mensagens já vão para o número alterado."

Com a inclusão do nono dígito, o programa de troca de mensagens gratuitas WhatsApp também requer uma atualização. Para que ele continue a funcionar, basta fazer o cadastro novamente com o novo número, deletar o aplicativo do aparelho e instalá-lo novamente. O programa precisa ser atualizado sempre que o celular mudar de número.

A mudança de oito para nove dígitos foi realizada porque as combinações em São Paulo se esgotariam até o fim do ano. Com o acréscimo, a combinação de números à disposição passa de 42 milhões para 90 milhões.

Os 34 milhões de celulares da região metropolitana de São Paulo, atendidos pelo DDD 11, começaram a funcionar ontem com nove dígitos, sem grandes dificuldades para os usuários. Agora, a mudança entra numa fase de adaptação. Até o dia 7 de agosto, as ligações com oito dígitos serão completadas normalmente, sem interceptações.

Ontem, ao longo do dia, a reportagem da Agência Estado efetuou ligações de um telefone fixo para telefones celulares das operadoras Vivo, Claro, Oi e TIM, utilizando nove dígitos. A maioria das chamadas foram completadas com sucesso. Em alguns casos, no entanto, foi necessário fazer mais de uma discagem, especialmente, quando o nono dígito não foi incluído - situação que deveria ter sido aceita por conta do período de adaptação.

O diretor executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Eduardo Levy, disse que os equipamentos das operadoras de telefonia não apresentaram problemas com a migração dos sistemas. "Pode ter acontecido algum problema pontual", diz. "Com a quantidade de celulares existentes, nem sempre as chamadas são perfeitas. Pode haver alguma perda, mas o comportamento está dentro da normalidade."

Segundo Levy, a expectativa é de que os sistemas de telefonia funcionem normalmente hoje, quando o tráfego nas redes é mais intenso em relação ao domingo. Na sexta-feira, o gerente de interconexão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Adeilson Nascimento, admitiu que poderia ocorrer alguma "instabilidade" nos sistemas em razão do acréscimo do nono dígito.

Procuradas pela reportagem, Vivo, Claro, Oi e TIM afirmaram que os sistemas operavam normalmente ontem e que nenhuma grave ocorrência tinha sido registrada.

Mudança gradual. A partir de 8 de agosto, as chamadas para o DDD 11 com oito dígitos serão interceptadas parcialmente e os usuários serão informados das mudanças. Essas interceptações, porém, serão gradualmente implementadas pelas operadoras, respeitando um cronograma entre as ligações locais, de dentro e de fora do Estado de São Paulo.

No caso das ligações locais do DDD 11 realizadas com oito dígitos, entre 8 de agosto e 16 de outubro, gradualmente, as operadoras terão que interceptar a chamada, sem completá-la. Após esse período, 100% das ligações terão que ser interceptadas. Os avisos serão interrompidos a partir de 15 de janeiro de 2013.

A mesma resolução que determinou a inclusão do nono dígito em São Paulo prevê a expansão para o restante do País, a partir de 2013, num cronograma ainda a ser definido pela Anatel. Além de São Paulo, os códigos de áreas 21 (RJ), 31 (MG), 51 (RS) e 81 (PE), nessa ordem, estão mais próximas do "esgotamento" de combinações.

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