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Um estímulo à competitividade da indústria

IVAN

ECONOMISTA, EX-SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO EXTERIOR, É , PRESIDENTE DA ABECE, ECONOMISTA, EX-SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO EXTERIOR, É , PRESIDENTE DA ABECE, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h04

RAMALHO

A presidente Dilma Rousseff sancionou neste mês a política industrial do governo brasileiro, o Plano Brasil Maior, que tem como principais diretrizes ampliar a competitividade da indústria, diversificar as exportações e promover a internacionalização das empresas brasileiras.

A sanção presidencial ocorre em momento importante, num cenário de incertezas em razão da crise internacional. As dificuldades enfrentadas pela Europa poderão trazer em 2012 um acirramento ainda maior na disputa por mercados, tornando quase imperativo um aumento da competitividade e uma política ainda mais intensa de promoção de exportações.

Embora a indústria continue respondendo pela maior parte das exportações, existe hoje natural preocupação com o crescimento da participação de produtos básicos. No período de janeiro a novembro deste ano, as exportações de industrializados foram ainda majoritárias. Chegaram a US$ 117 bilhões, em comparação com os US$ 111 bilhões dos básicos. Mas o crescimento dos industrializados foi menor: 20,2%, enquanto o dos básicos foi de 38,7%.

É notório que o aumento mais expressivo nos básicos se deve a preços melhores em bolsas internacionais. Mas é de todo desejável que a indústria possa ampliar a sua participação. O Plano Brasil Maior inclui mecanismos indutores de investimentos em inovação, especialmente visando à fabricação de produtos de maior conteúdo tecnológico. Este é ainda o ponto que mais preocupa: a baixa participação de produtos de maior conteúdo tecnológico.

Nesta nova política também merecem especial destaque o aperfeiçoamento dos instrumentos financeiros e tributários, a facilitação do comércio e o estímulo à internacionalização. Trata-se de temas aos quais a Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece) e associadas podem dar contribuição relevante, especialmente diante da experiência acumulada por muitas das tradings brasileiras em diferentes mercados mundiais.

É animador que a nova política industrial contemple diferentes diretrizes setoriais, com ênfase no fortalecimento de cadeias produtivas, ampliação dos investimentos, formação e qualificação profissional. Estão previstas ações especiais para o desenvolvimento regional, para reduzir a desconfortável desigualdade hoje existente entre o crescimento industrial da Região Sudeste e o das demais regiões do País.

Na busca de maior competitividade para a indústria, estão previstos prazos e juros compatíveis com os níveis internacionais no financiamento de longo prazo. Também está contemplada a redução dos encargos tributários que incidem sobre o investimento, desejo antigo de especialistas - principalmente do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC) - que já participaram da elaboração de políticas industriais.

A ampliação dos investimentos passa ainda pelo aumento das importações. Novas linhas de produção, especialmente para a fabricação de produtos de alto conteúdo tecnológico, exigirão a importação de máquinas e equipamentos de última geração. A importação é parte importante também do desenvolvimento industrial, principalmente em processos de modernização.

Os incentivos previstos na política industrial poderão ensejar ampliação considerável do volume de investimentos na fabricação de produtos de alto conteúdo tecnológico, muitos dos quais o mercado interno brasileiro pode absorver e que, portanto, não estarão dependentes de vendas ao exterior.

Em vários setores da indústria, existe pessimismo em relação ao ano de 2012. Mas é inegável que o Plano Brasil Maior, pela sua abrangência e ênfase no aumento da competitividade, poderá permitir que a indústria brasileira saia fortalecida. Isso caso a indústria de fato acredite na nova política e realize investimentos que permitam uma ampla modernização do parque brasileiro.

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