Um evento com resultados

Em época de mudanças aceleradas, quando um setor econômico passa por um verdadeiro tsunami, é fundamental saber o que os demais envolvidos com a atividade pensam dela.

Antonio P. Mendonça*, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2009 | 00h00

O mercado segurador vem experimentando uma verdadeira revolução já faz alguns anos. Não apenas pela abertura do resseguro, mas pela chegada agressiva de companhias estrangeiras, pelo reposicionamento dos grandes grupos econômicos e pelo surgimento de novos nichos de negócios, praticamente inexplorados e com grande potencial.

Ao longo deste ano, aconteceram discussões a respeito da lisura de determinadas práticas de algumas seguradoras, suspeitas sobre negócios irregulares, discussões sobre canais de distribuição, microsseguro, revisão do seguro agrícola etc.

Todos temas importantes mas discutidos de dentro para fora, ou seja, aparecendo em primeiro lugar a opinião dos diretamente envolvidos com a atividade e só depois os consumidores, os parceiros e as autoridades encarregadas de balizar a operação e o funcionamento do mercado.

É pressuposto básico para o planejamento das operações militares conhecer o cenário antes de tomar qualquer decisão. A palavra conhecimento, nos dias de hoje, levou a máxima militar para o cotidiano de todas as atividades econômicas, em todas as partes do mundo.

Não há mais espaço para amadorismos do tipo "eu acho". Não é possível achar, num mundo onde a informação, graças à rapidíssima evolução das comunicações está à disposição de todos, gratuitamente, na internet.

Foi pensando nisto e nas atuais necessidades e desafios do setor de seguros que a oitava edição do seminário "Ética e Transparência na Atividade Seguradora" foi desenvolvida.

Ao longo das edições anteriores, o mercado discutiu entre si e, especialmente, com o Judiciário, os principais temas que levantam polêmica ou geram atritos com os consumidores.

Era tempo de mudar o foco. E o grande mote que se impôs quase que naturalmente, foi ouvir. Saber o que os outros pensam do setor, a começar por seus clientes, passando por seus parceiros e prestadores de serviço, para terminar na visão das autoridades direta e indiretamente ligadas ao negócio de seguro.

Dentro deste espírito, o seminário reuniu mais de 200 participantes para ouvirem as posições dos corretores de seguros, dos grandes compradores de seguros, dos resseguradores internacionais, da diretoria do Procon paulista, do Ministério Público, da Superintendência de Seguros Privados e do Judiciário, representado pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Não bastasse a lúcida palestra proferida pelo ilustre integrante do STF, abordando essencialmente a necessidade de padrões éticos claros e de boa fé nas relações de seguros, o evento ainda gerou outros frutos interessantes, especialmente pelas informações dadas pelas autoridades presentes, que, ao contrário do que muita gente pensa, atestaram a seriedade e o comprometimento da atividade com a sociedade como um todo e com o segurado em particular.

De acordo com Luiz Antonio Marrey, secretário da Justiça e da Cidadania de São Paulo, 87,5% dos problemas relacionados com seguros de veículos levados ao Procon são resolvidos sem maiores problemas, no próprio órgão.

Completando o quadro, Paulo Goes, diretor do Procon, informou que apenas entre 4% e 5% das reclamações feitas a eles são provenientes do setor de seguros.

Na mesma linha, o diretor da Susep, Murilo Chaim, e José Luiz Berdnaski, da Promotoria do Consumidor de Jacareí, deram, em suas palestras, depoimentos positivos a respeito de uma atividade de massa, que, há mais de 15 anos, cresce a uma taxa de mais de 10% anuais.

É preciso melhorar? Sem dúvida nenhuma. Ainda há um bom caminho a percorrer, especialmente no que diz respeito à comunicação entre seguradora e segurado.

No entanto, pelo aferido no seminário, o setor está no rumo certo e respondendo adequadamente às demandas da sociedade.

*Antonio Penteado Mendonça é advogado, sócio de Penteado Mendonça Advocacia, professor da FIA-FEA/USP e do PEC da Fundação Getúlio Vargas e comentarista da Rádio Eldorado.

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