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Um Feffer na disputa pelo Oscar de 2016

Ruben Feffer, acionista da Suzano, fez a trilha sonora de 'O Menino e o Mundo'

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2016 | 04h33

Um sobrenome tradicional no mundo dos negócios brasileiro estará no Teatro Dolby, em Los Angeles, no próximo dia 28, na disputa por uma estatueta do Oscar de 2016. O empresário Ruben Feffer, que pertence ao bloco de acionistas controladores da Suzano Papel e Celulose, é o autor da trilha sonora da animação brasileira O Menino e o Mundo, uma das cinco obras indicadas na categoria de "Melhor Animação".

Binho, como é conhecido, é o mais novo dos quatro filhos de Max Feffer, responsável pela expansão do grupo Suzano, e neto do fundador da empresa, o imigrante ucraniano Leon Feffer. A paixão pela música é uma tradição na família, mas Binho foi o primeiro a fazer dela o seu negócio.

Há cerca de 15 anos, ele trocou a carreira na Suzano para abrir a Ultrassom Music Ideas, uma produtora que faz trilhas sonoras para filmes e séries. Anos depois, criou sua segunda empresa no ramo audiovisual, a Elo Company, uma distribuidora de filmes, responsável pela comercialização de O Menino e o Mundo no exterior.

As empresas estão em fase de expansão e o prestígio do filme em Hollywood deve ajudar. No último dia 6, o filme venceu o prêmio Annie Awards, na categoria melhor animação independente. Binho está nos Estados Unidos e ficará no país até a entrega do Oscar. "O mercado americano classifica produtoras de três formas: as que nunca estiveram no Oscar, as que já foram indicadas e as que venceram", resume.

Ele quer aproveitar a repercussão do filme para conseguir contatos com figurões do cinema americano. Nesta semana, se reunirá com a equipe do estúdio de cinema DreamWorks e com o compositor Hans Zimmer, um dos mais famosos em Hollywood e autor das trilhas dos filmes Kung Fu Panda 3 e Batman Vs Superman. "Com essa indicação, esperamos ter acesso a melhores projetos."

De hobby a negócio. O primeiro instrumento que aprendeu a tocar foi o piano, em "dueto" com o pai. "Meu pai adorava música. Assoviava o dia inteiro, tocava trompete, piano, violino", diz Binho. A tradição segue na família. Seu filho de um ano já faz aula de musicalização infantil. "Estava tocando cajón (um instrumento de percussão) com as crianças quando recebi mensagens avisando da indicação para o Oscar", diz.

O contato com músicos profissionais abriu caminho para Binho transformar o hobby em negócio. No fim dos anos 80, tocou teclado na banda Luni, que tinha a atriz Marisa Orth como uma das vocalistas. "Fazíamos também jingles para marcas e trilhas sonoras para discursos."

Enquanto se divertia como músico, cumpria expediente na Suzano. Entrou como estagiário em 1989, logo no primeiro ano do curso de Administração, na universidade Mackenzie. Ao longo de dez anos, trabalhou em diferentes áreas na Suzano, como compras e tecnologia - sua última função na empresa foi implementar o software de gestão SAP. Saiu para se dedicar à música. "Meu pai ainda era vivo e apoiou. O que eu fiz é uma tendência nas novas gerações. A Suzano é uma empresa com gestão profissionalizada. A família não está no dia a dia do negócio."

Os três irmãos de Binho são conselheiros da Suzano. Ele é conselheiro na fundação mantida pela Suzano, em empresas de capital fechado do grupo e participa da holding da família. "Eu sei o que está acontecendo na empresa", explica.

Da experiência na Suzano, Binho, de 45 anos, trouxe lições de gestão. "O mundo da música tem enfoque artístico, mas às vezes falta profissionalismo e visão de negócio". Ele não revela o faturamento das empresas, mas admite que ainda são negócios pequenos, ambos com até dez funcionários. Suas ambições, no entanto, são maiores, principalmente depois da indicação. "Eu quero ganhar dinheiro com isso."

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