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Um foco de inflação

Até mesmo antes que a foto oficial da presidente Dilma Rousseff enfeite todas as repartições do governo federal, a administração econômica poderá enfrentar nova escalada dos preços das commodities: petróleo, matérias-primas e alimentos.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

Ontem, o ministro Guido Mantega mostrou-se confiante em que as pressões inflacionárias das matérias-primas começam a refluir. Mas é mais um desejo do que uma aposta firme.

Trata-se de um processo iniciado em julho (veja o gráfico), que agora tem fortes razões para se intensificar.

Ao longo de 2007 e início de 2008, quando as cotações das commodities também cavalgavam, diversos dirigentes da área econômica, em vez de combater a alta de preços com os instrumentos disponíveis (quase sempre dolorosos), preferiram culpar os especuladores pela situação. A crise ainda está longe de ser revertida, principalmente nos países ricos, e, no entanto, os preços das commodities voltam a disparar.

A principal razão da esticada é o aumento do consumo dos países emergentes, especialmente da Ásia (China, Índia, Tailândia, Indonésia, etc.). Esse pedaço do mundo conseguiu evitar uma depressão ainda mais profunda da economia global. No entanto, como é dependente do suprimento externo de quase todas essas matérias-primas, ajudou a produzir esse efeito aí.

Não é processo temporário. À medida que um contingente maior da população emerge da linha da pobreza, passa a consumir mais de tudo: comida, aparelhos domésticos, etc. Imagine dezenas de milhões de chineses que, a cada ano, conseguem uma renda relativamente estável. O bifinho ou a coxa de frango a mais que eles passam a consumir é suficiente para acionar a alta da proteína animal e das rações.

Esse processo tende a se intensificar em 2011 e deverá incorporar a elevação do consumo dos países ricos, à medida que a crise for sendo superada, o emprego reagir e as despesas das famílias se recompuserem. Isso, se confirmando, trará para o Brasil uma situação de dois pesos diferentes. A primeira, positiva, é um novo salto das exportações. A outra é problema a ser atacado de maneira apropriada: mais altas dos alimentos e do petróleo.

Há alguns meses, Mantega vem ensaiando movimentos no sentido de expurgar variações bruscas de preços das commodities no índice do custo de vida, apenas para finalidade de definição dos juros básicos (Selic). Seria decisão justificada se a escalada se devesse apenas a choques de oferta que provocassem quebras temporárias de produção. Essa alta é estrutural e não pode ser eliminada por atos de vontade, sem provocar distorções.

A questão do petróleo é mais séria. A atual relação dos preços dos combustíveis parece calibrada a um barril de petróleo custando até US$ 90. No entanto, muitos especialistas vêm advertindo que as cotações do petróleo provavelmente saltarão para acima dos US$ 100 por barril ainda no primeiro semestre de 2011.

O governo dispõe de certo molejo para enfrentar essa estocada. Pode, por exemplo, reduzir a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis. Mas, se nova forte alta se confirmar, outros reajustes dos combustíveis ficarão inevitáveis, com impacto sobre os demais preços.

CONFIRA

O gráfico mostra como evoluiu a produção da Petrobrás. Os recordes estão sendo batidos, mas a empresa não vem cumprindo metas.

Gasolinaço

O governo da Bolívia decretou ontem um aumento de 73% nos preços da gasolina. Os combustíveis estavam há sete anos sem reajuste. Levavam em conta o preço do barril de petróleo de US$ 27 (hoje está a US$ 70). O vice-presidente, García Linera, confessou que os preços baixos provocaram evasão de combustíveis: "Nuestra gasolina y diesel se van afuera como ríos."

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