'Um iPad na TV faz mais e custa menos'

Smart TV ainda é muito 'fechada', diz usuário

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2013 | 02h07

Se as smart TVs vêm conquistando consumidores brasileiros, alguns não estão convencidos.

O jornalista e desenvolvedor Heinar Maracy não pretende investir seu dinheiro numa smart TV por enquanto. "A não ser que a Samsung lance um modelo com aplicativo de torrent embutido", brinca. É através de torrents que boa parte dos downloads ilegais de filme são feitos.

O caso de Maracy é igual ao de muitos que recorrem a esse tipo de recurso: o conteúdo a que ele gosta de assistir simplesmente não é encontrado nos canais "legítimos".

O jornalista sempre gostou de coisas menos convencionais como "filmes obscuros e seriados velhos, coisas que não vão ter no Netflix".

Para Maracy, as smart TVs e suas poucas opções de aplicativos são muito "fechados". "Um iPad ligado na TV faz muito mais e custa menos."

Em casa, Maracy não tem nem televisão. Seu equipamento inclui um decodificador da NET, um Apple TV (com filmes e séries sob demanda) e um projetor da Epson que joga as imagens na parede. Para o áudio, ele usa um home theater da Samsung. Com essa estrutura, ele consegue também ver filmes que estão no computador ou até mesmo no iPhone.

"Fiquei dez anos sem sinal de TV em casa. Se precisava ver algo, ia pra casa de algum amigo ou para algum boteco", conta. Maracy não sentiu nenhuma falta. "A qualidade do (conteúdo) que passa na TV não é lá essas coisas." Recentemente, ele assinou o serviço a cabo da Net.

Mesmo com as limitações, ele acha que serviços como Netflix e Hulu são "o futuro".

O único problema para ele são as restrições que as emissoras norte-americanas colocam para diferentes territórios, assim muita coisa só é liberada para o Brasil bem depois dos Estados Unidos.

Porém, todas essas alternativas têm uma coisa em comum para o jornalista. "A principal é que as tecnologias estão mudando o hábito de ter horário para ver tal coisa. A própria TV a cabo agora tem a possibilidade de gravar."

Pessoas como Maracy, que procuram conteúdo raro e alternativo, representam uma fatia bem pequena do público brasileiro. Basta pensar que, mesmo no ranking de audiência da TV paga, os quatro canais mais vistos são da TV aberta, com a Globo bem à frente.

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