Um jeito discreto de ligar para os devedores

Veja casos de pessoas que têm o costume de usar o orelhão para reduzir gastos

Anne Warth, da Agência Estado ,

29 de setembro de 2012 | 16h01

BRASÍLIA - Apesar da quantidade de telefones celulares no País, ainda há quem prefira o orelhão para se comunicar. Enquanto o valor do minuto da ligação do celular pré-pago supera R$ 1, nos telefones públicos, ela não ultrapassa os centavos. Dependendo do horário, a economia pode ser de até 90%, garante a conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Emilia Ribeiro.

Ainda assim, o orelhão é a última opção, e não a prioridade dos usuários para dar recados e conversar.

A estudante Vitória Rodrigues, 13 anos, perdeu seu telefone celular pré-pago e, enquanto a mãe não compra outro, liga a cobrar para combinar o local em que vão se encontrar em Brasília. "Eu ligo mais a cobrar, mesmo", disse.

O vigilante Patrick Pereira de Abreu, 30 anos, liga com cartão para avisar que está atrasado para chegar em seu local de trabalho. "Estou sem crédito no celular", explica.

Dono de uma banca na rodoviária de Brasília, Onivaldo Patrocínio da Silva, 51 anos, vendia, até o início deste ano, cerca de 40 cartões telefônicos por dia e fazia pedidos diários para repor o estoque.

Há duas semanas, encomendou 20 cartões com 40 créditos cada para sua loja. Desde então, só vendeu 9. "Tem dia em que não vendo nenhum", afirmou.

Ele percebeu a queda na demanda pelo cartão a partir do momento em que as operadoras passaram a oferecer promoções para ligações entre celulares da mesma companhia e entre aparelhos móveis e fixos.

Cobranças

Mas sempre há quem encontre no orelhão mais do que uma alternativa, uma necessidade.

Aposentado, aos 71 anos, Antonio Correia de Melo utiliza suas economias para fazer empréstimos aos conhecidos. Tem um celular pré-pago com créditos, mas todos os devedores conhecem o número - e, obviamente, não atendem.

"Ligar de um orelhão é a melhor forma de cobrar o pagamento de quem deve, pois é sempre um número diferente e aí eles atendem. Tem de ter a manha do negócio", explicou, mostrando seu cartão com 75 créditos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.