ANÁLISE: Um longo e desnecessário inverno

O governo caminha para entregar ao final de 2016 uma queda de PIB per capita de 6% em três anos. Em três anos, o governo conseguirá ter um resultado tão ruim quanto a recessão de 1981 ou a de 1990, o que parece até positivo, dada a comparação de momentos tão negros da história econômica do País. Mas o sentido de estagnação que se vê vai muito além disso.

Sérgio Vale, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2015 | 02h02

Ao se comparar a década de 80 com o período Dilma, o crescimento médio anual do PIB per capita agora deverá ser menor que o daquele período (0,1% contra 0,4%). Ou seja, o sentido de década perdida está mais do que consolidado e traz muitos desafios para o pós-Dilma, seja com impeachment ou em 2019.

Na década de 80 e no governo Collor o grande desafio era a inflação, para a qual não havia diagnóstico correto a ser usado. O que se poderia chamar de erros de política econômica no combate à hiperinflação deveria ser mais bem entendido como a falta de esforço coordenado para criar uma solução adequada para nossa situação, que acabou vindo com o Real. Agora, a escolha foi por opções erradas de política econômica, uso de instrumentos reconhecidamente falhos e estatismo que não cabia num país que precisa urgentemente de mais dinamismo privado.

Há a urgente necessidade de uma ampla revisão dos caminhos a serem tomados. Não parece haver real esforço, comprometimento e capacidade política do governo para chegar ao menos nesse início de discussão. A tal Agenda Brasil apenas comprovou como o governo está perdido. Por isso, o inverno do PIB pelo qual passamos é mais profundo do que se vê nos números e demandará muito mais ousadia para ser corrigido.

*Sérgio Vale é economista-chefe da MB Associados

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