Um novo remédio contra o autoengano oficial

O mais recente instrumento de avaliação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Indicador Antecedente Composto da Economia (Iace), mostra um recuo da economia brasileira de 0,6%, entre maio e junho, após a queda de 1,2%, entre abril e maio. O Iace reflete as dificuldades de "continuar apresentando um crescimento sustentado num contexto de incerteza em relação ao desempenho econômico interno e externo", segundo o economista Paulo Picchetti, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV.

O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 02h51

O indicador é elaborado pelo Ibre em conjunto com The Conference Board, uma respeitada organização internacional de pesquisa econômica com sede em Nova York. É de longo prazo e seu objetivo é permitir a análise dos ciclos econômicos. Usado há mais tempo, teria permitido, segundo o Ibre, antecipar as quatro fases de recessão vividas pelo País nos últimos 17 anos, constatadas pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, também do Ibre.

Além disso, o Iace permite comparar os ciclos econômicos brasileiros com os de outros 11 países ou regiões - China, Estados Unidos, Zona do Euro, Austrália, França, Alemanha, Japão, México, Coreia, Espanha e Reino Unido.

O economista Ataman Ozyildirim, da The Conference Board, diz que "o enfraquecimento do Iace (no País) está em linha com o enfraquecimento dos principais indicadores na China e na Índia". Ou seja, não é possível evitar os desafios dos emergentes. A última queda do Iace, de 2,3 pontos porcentuais em seis meses, ocorreu em agosto de 2011.

Não está claro, até agora, se o Brasil entrará ou não num ciclo recessivo. Os componentes do Iace - swaps de juros, Ibovespa, sondagens da indústria, serviços e consumidor, produção física do IBGE, termos de troca e quantidades exportadas - têm oscilado muito. O que é evidente é que as decisões de estímulo à economia no curto prazo - incentivos tributários, subsídios generalizados, crédito a juro negativo, gastos públicos além da receita, política de "campeões nacionais" do BNDES - deram pouco resultado.

A redução de tarifas de energia elétrica e de transportes e o artificialismo dos preços de derivados de petróleo mais assustaram os investidores do que evitaram a desaceleração. Mas a presidente Dilma Rousseff e seus ministros continuam praticando o autoengano, supondo que os críticos só torcem contra - e a economia é bem mais saudável do que eles dizem.

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