JASON HENRY | NYT
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Um olhar além da internet das coisas

Pesquisadores tentam prever como grandes sistemas poderão ‘aprender’ a partir de dados coletados por milhões de objetos conectados à web

Quentin Hardy, THE NEW YORK TIMES

31 de janeiro de 2016 | 03h00

Se você enviou e-mails pelo Google ou usou o navegador ou os bancos de dados da Microsoft, utilizou o trabalho de Adam Bosworth no campo da tecnologia. Bosworth, 60 anos, alto e grisalho, sempre bem posto, é um dos principais expoentes desta área, totalmente envolvido na criação de gerações de recursos avançados utilizados no mundo todo.

Embora nunca seja fácil prever qual será o próximo avanço extraordinário, identificar em que Bosworth está trabalhando é interessante para se ter alguma ideia do que virá. No momento, juntamente com seus concorrentes de companhias como Amazon e Google, ele está construindo o que chamam de “singularidade de dados”.

Imaginem se quase tudo – ruas, para-choques de carros, portas, barragens hidrelétricas – tivessem um pequeno sensor. É o que já está acontecendo graças aos projetos da internet das coisas, realizados por grandes companhias como GE e IBM.

Todos esses dispositivos e sensores estariam conectados, embora sem fios, a centros de dados distantes, nos quais milhões de servidores administrariam e aprenderiam todas estas informações.

Os servidores então enviariam comandos para ajudar os sensores conectados a operar com maior eficiência: por exemplo, uma casa liga automaticamente o sistema de aquecimento antes da entrada da estação fria, ou a iluminação pública se comporta de maneira diferente quando o trânsito piora. Ou imaginemos uma companhia de seguros que resolva instantaneamente quem deverá pagar e qual o tipo de dano um instante antes de um pequeno acidente acontecer, porque foi informada automaticamente sobre o acidente.

Devemos imaginar tudo isto como um processo gigantesco no qual máquinas coletam informações, aprendem e modificam seu funcionamento partir do que aprendem, em questão de segundos. “Pretendo afetar a vida de5 bilhões de pessoas”, disse Bosworth, ex-astro da Microsoft e do Google que agora produz software interativo na Salesforce, uma companhia de software online que administra as vendas para milhares de corporações. “Ingressamos numa daquelas descontinuidades históricas que ocasionam mudanças da sociedade”.

Sem dúvida, trata-se de uma linguagem muito elevada, mas ele e outros acreditam que estão prestes a participar de uma das próximas grandes viradas na ciência da computação, talvez tão grande quanto a do navegador da web ou do computador pessoal.

Contudo, a criação de um sistema automatizado capaz de reagir a todos estes dados como uma pessoa dotada de raciocínio é muito difícil – e este será talvez o último grande desafio que Bosworth resolverá.

É difícil dizer que dimensão alcançará este negócio, mas há dois bons indicadores. Analistas da consultoria Gartner avaliam que até 2019 a computação em nuvem no varejo – o centro de dados da equação na qual Bosworth está trabalhando – duplicará em tamanho, para US$ 314 bilhões. Os sensores aplicados a objetos representarão negócio no valor de US$ 2,6 trilhões, ou um aumento de 250%, estima a Gartner.

Se Bosworth estiver certo, a singularidade de dados representará uma nova era da computação, com efeitos que vão além da simples eficiência. Os consumidores poderão usufruir de um enorme aumento do número de serviços; anúncios e upgrades de produtos vendidos juntamente com a maioria dos bens, e produtos que respondem aos gostos dos proprietários – algo já visto nos upgrades do smartphone, dos carros conectados da BMW ou Tesla, ou dispositivos de entretenimento como Amazon Echo – poderão modificar o design de um produto. /TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Pesquisador teve passagens pela Microsoft e Google

Bosworth estudou em Harvard com Bill Gates, fundador e ex-CEO da Microsoft, e só teve uma aula sobre computadores enquanto estudava história da Ásia. Ingressou na Microsoft em 1989, onde trabalhou com bancos de dados e navegadores de internet. Bosworth entrou em conflito com Larry Page, um dos fundadores e diretor executivo do Google, enquanto trabalhava para a companhia num software interativo.

“Tínhamos estilos que não se combinavam. Ele está interessado na coleta de enormes quantidades de dados, e acha que poderá fazer alguma coisa com isto usando a matemática. Eu queria fazer as pessoas comunicarem entre si”. Ele saiu do Google em 2007 para fundar a Keas, uma empresa de administração de serviços de saúde online.

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