Um par de tênis e uma longa dívida

No cartão, conta de R$ 100 virou R$ 550

O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2012 | 03h06

Em 2008, aos 17 anos, Marcos Ponzio conseguiu seu primeiro emprego, em uma grande rede de fast-food. Estava feliz. Além do uniforme, crachá e salário, o trabalho trouxe junto uma conta corrente e um cartão de débito e crédito. Com a alegria de receber o primeiro salário da vida, foi ao shopping comprar um par de tênis. "Eram pouco mais de R$ 100 e, na hora de pagar, disse que era crédito, meio que sem saber." Foi o começo de uma bola de neve.

Naquele momento, Ponzio acreditava que o valor seria descontado do salário que estava inteiro na conta. "O dinheiro estava lá." Mas não foi isso que aconteceu.

Dias depois, a primeira fatura do cartão de crédito foi entregue em sua casa no bairro do Ferreira, na zona oeste paulistana. Sem nunca ter usado um cartão na vida, entendeu que o documento era apenas um comprovante da compra feita semanas antes. Tempos depois, ficou sem trabalho e, em uma correspondência do banco, entendeu que tinha uma dívida. "No fim, fiquei três anos sem pagar a conta."

Em agosto do ano passado, Ponzio começou a se preparar para um concurso público e descobriu que o regulamento exigia que os candidatos não tivessem restrições em operações de crédito. Correu ao banco para tentar resolver o problema. Naquele momento, a conta do tênis já somava R$ 550,00.

A gerente renegociou e, com dinheiro emprestado, pagou a primeira parcela. Mas, sem trabalho, ficou mais uma vez inadimplente. Em maio, ainda sem trabalho, voltou à agência e renegociou o tênis pela segunda vez. A gerente reduziu o valor da dívida para R$ 247. Ponzio pediu para parcelar o máximo possível. A gerente escreveu a proposta no papel: 12 vezes de R$ 30,00. Negócio feito e a primeira parcela foi paga na hora.

A segunda parcela venceu em 14 de junho. Mas Ponzio, infelizmente, segue sem trabalho. Assim, na última quinta-feira, a fila dos inadimplentes ganhou mais um nome. / F.N.

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