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Um paraíso sem fins lucrativos

Geralmente associadas aos milionários, ilhas particulares caem de preço e atraem novos tipos de compradores

The Economist

03 Setembro 2015 | 02h05

Não muito longe da costa oeste da Flórida, fica a ensolarada ilha de Little Bokeelia, com cachoeiras murmurantes, quadras de tênis, piscinas e uma mansão em estilo espanhol. Apesar de tantos atrativos, a ilha levou três anos para ser vendida. E o negócio, fechado em julho, saiu por meros US$ 14,5 milhões - metade do preço original.

Como Little Bokeelia há muitas outras ilhas "encalhadas" no mercado. Nas Bahamas, cujos preços por hectare estão entre os mais altos do mundo, há centenas de atóis à venda. O preço das ilhas sem benfeitorias, que são 80% das disponíveis no mercado, caiu mais ou menos pela metade desde a crise financeira de 2007, diz Farhad Vladi, corretor de imóveis especializado em ilhas particulares.

No início deste século, as ilhas eram o xodó dos milionários. Mas a demanda encolheu bastante com a recessão. O custo de construção numa ilha é muito mais elevado do que no continente, e os contratempos não costumam ser poucos. É coisa para quem não se importa de sair um pouco chamuscado, diz Edward Childs, da imobiliária Smiths Gore, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Os megaiates e os jatinhos particulares são vistos como investimentos bem mais previsíveis. O resultado é que os preços das ilhas particulares estão surpreendentemente baixos.

Isso trouxe um novo tipo de cliente para o mercado. Entre 2011 e 2014, governos e ONGs adquiriram cerca de 60 ilhas, em sua maioria na América do Norte. Nos quatro anos anteriores, tinham sido 22, segundo dados compilados por Vladi. O alvo preferencial dessa clientela são as ilhas virgens, por serem mais baratas e terem uma natureza mais preservada do que as ilhas em que já foram realizadas benfeitorias.

O que está por trás dessas novas legiões de inusitados proprietários de ilhas é a intenção conservacionista. No Canadá, o Nova Scotia Nature Trust pretende comprar ou proteger mais de 200 ilhas. Financiada com doações, essa entidade sem fins lucrativos tem por objetivo preservar importantes sistemas ecológicos, diz Bonnie Sutherland, presidente da organização.

No Estado americano do Maine, as entidades sem fins lucrativos são donas de 65 ilhas, que servem de refúgio a aves marinhas e focas. As areias imaculadas das Discovery Islands, 150 milhas a oeste de Abu Dhabi estavam para ser loteadas, quando, em 2012, o governo interveio. Agora seus principais habitantes são tartarugas que vêm depositar seus ovos e águias-pescadoras bebês. E, para os proprietários de ilhas que não dão tanta bola para a ecologia, é reconfortante saber que há compradores com bolsos à prova de recessão no pedaço.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

 

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