'Um percalço físico pode levá-lo à depressão ou à reflexão'

De pianista à maestro, músico aprendeu com os desafios, sem deixar morrer seu amor pela arte erudita

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

16 de março de 2014 | 02h12

A história de João Carlos Martins, hoje com 73 anos, é bem mais do que um exemplo emblemático de superação de problemas. Considerado um dos principais pianistas do planeta, desde jovem ele convive com as dificuldades - de doenças a acidentes que dificultaram enormemente os movimentos das mãos. E sempre soube se reinventar. À frente da Bachiana Filarmônica Sesi-SP, ele mantém vivo seu amor pela música erudita.

Que valores nortearam a sua vida para que o senhor conseguisse lidar com as más notícias que recebeu e superá-las?

Um percalço físico pode levar você à depressão ou à reflexão. Se você refletir com a razão e com o coração, tendo como meta a palavra esperança, sem dúvida alguma, o percalço físico poderá ser um estímulo para o sucesso. Embora eu prefira não usar a palavra sucesso, tenho certeza de que a palavra superação ajudará pessoas que estejam enfrentando adversidades em suas vidas.

Nossos problemas podem ser oportunidades?

Eu acredito que as oportunidades, em muitos casos, estejam conectadas aos problemas que uma pessoa possa ter enfrentado, pois a sua mente fica diuturnamente criando situações que darão origem a novos desafios que poderão ser vitoriosos a curto, médio ou longo prazo.

Ainda jovem, o senhor teve de interromper a carreira por causa de um acidente. O que a experiência lhe ensinou para o futuro?

No início, foi devastadora a interrupção da carreira. Mas o que prevaleceu foi, apesar de alguns percalços, o amor à vida e, antes de tudo, o amor à música. Neste momento, você começa a pensar nos valores que podem nortear o seu futuro, e mais cedo ou mais tarde, você, além da procura da excelência musical no meu caso, assume também a responsabilidade social.

O senhor registrou sua história em um livro. Relembrar, que impacto na sua trajetória?

Registrei a minha história no livro A Saga das Mãos e gostaria de ter mudado alguns fatos, mas essa foi a minha verdadeira história, razão pela qual digo, o meu caso não foi da saga das mãos, mas sim, do milagre das mãos.

Descobrir uma nova habilidade na regência transformou a sua vida? Colmo?

Na regência, procurei transformar cada músico numa tecla do piano, e, assim, minha única intenção foi continuar fazendo música, sempre procurando mesclar a minha individualidade com a personalidade do autor, com uma atitude solidária com a minha orquestra, baseada em duas palavras: liderança e humildade.

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