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Fábio Alves
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Um PIB turbinado em 2018

Não seria surpresa se na próxima Focus a projeção do PIB passasse dos 3,0%

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2017 | 05h00

A economia brasileira deve crescer muito além do que o previsto hoje por analistas e investidores em 2018, salvo algum choque externo ou mais uma reviravolta na política nacional de tirar o fôlego de novela mexicana.

Há o risco agora de uma rodada de fortes revisões para cima das estimativas de crescimento de 2018, com implicações para o desempenho fiscal do Brasil e, por tabela, da trajetória da dívida pública.

Com a perspectiva de um ciclo de redução dos juros básicos até o nível mínimo histórico de 7,25% ao fim deste ano pelo Banco Central e as últimas notícias envolvendo a possível anulação da delação da JBS, diminuindo as chances de uma segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer, o consenso das estimativas de um crescimento de 2,0% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018, na mais recente pesquisa Focus, tornou-se demasiadamente conservador, para não dizer pessimista.

Não seria uma surpresa se as projeções para 2018 mais otimistas hoje, de uma expansão do PIB superior a 3,0%, passassem a ser o consenso nas próximas semanas na pesquisa Focus.

Só para lembrar: até a pesquisa Focus na semana do dia 17 de maio, quando veio à tona a delação de Joesley Batista, dono da JBS, envolvendo Temer e que serviu de base para a primeira denúncia apresentada contra o presidente por Rodrigo Janot, a projeção de crescimento do PIB em 2018 era de 2,50% com uma taxa Selic estimada em 8,50% ao fim deste ano. Pouco mais de um mês depois, a projeção da Selic ainda seguia em 8,50%, mas a do PIB havia caído para 2,0%, permanecendo nesse patamar desde então.

Seria essa taxa mais modesta de crescimento condizente com uma Selic caindo a 7,25%? Não.

O cenário para a economia e para a política em 2017 e em 2018 melhorou significativamente, mas os analistas parecem estar atrasados.

Primeiro, a atividade econômica vem surpreendendo positivamente, haja vista o desempenho do PIB no segundo trimestre deste ano, que cresceu 0,2%, deflagrando uma rodada de revisões para cima das estimativas para o crescimento de 2017 como um todo, agora em 0,5%.

Segundo, se de fato “os crimes gravíssimos”, como classificou Janot, envolvendo a delação da JBS eliminarem as chances de uma segunda denúncia contra Temer, volta ao cenário de investidores e analistas a aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano. Sem o obstáculo de uma segunda denúncia ocupando a pauta do Congresso, os parlamentares poderão votar a reforma da Previdência, mesmo que desidratada, e assim melhorar as perspectivas das contas fiscais no médio prazo e, por tabela, o ambiente estrutural para a queda dos juros para níveis mais baixos de forma sustentável.

E, terceiro, o BC já deu indicações de que pretende tocar um ciclo de corte de juros mais agressivo no curto prazo, levando a Selic até 7,25%, conforme a expectativa do mercado. Como a política monetária tem um efeito retardado de seis a nove meses na economia real, os cortes mais agressivos nos juros hoje poderão ser sentidos de forma integral apenas em meados de 2018. Nesta quarta-feira, a expectativa é de que o Copom reduza a taxa Selic em 1 ponto porcentual, de 9,25% para 8,25%.

Com o espectro da segunda denúncia contra Temer por Janot e sem contar mais com a aprovação da reforma da Previdência, as apostas na pesquisa Focus e na curva de juros vinham embutindo a probabilidade de o BC ser forçado a voltar a subir os juros em 2018. Com a reviravolta da delação da JBS e sem uma segunda denúncia, cai o risco de elevação da Selic pelo BC em 2018.

Até porque a inflação corrente vem surpreendendo para baixo, diante de um mercado de trabalho anêmico e da queda nos preços dos alimentos; o dólar continua comportado e sem pressionar os preços de bens e serviços; e o chamado hiato do produto, refletindo ainda uma enorme ociosidade da economia, acomodaria uma retomada da atividade sem acelerar a inflação. Ao menos os investidores da bolsa de valores parecem antecipar o cenário mais otimista para 2018, ano de eleições presidenciais, com o Ibovespa operando próximo do maior nível em quase sete anos.

*É COLUNISTA DO BROADCAST

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