Um PIB vigoroso

Desta vez não dá para botar defeito. Os resultados do PIB no terceiro trimestre vieram consistentes. Estão baseados no avanço do consumo, mas não há indicação de superaquecimento da economia.A principal conseqüência desse resultado positivo é política. Muito figurão considerou errada a política econômica. Agora, ficou mais difícil criticar. Além disso, não é um motor queimando óleo, porque a inflação segue na meta. E tende a reforçar a aprovação ao governo Lula.Perde força o discurso de que o setor produtivo está sendo sucateado e a economia, submetida a um irreversível processo de desindustrialização. Apesar do superávit primário (sobra de arrecadação para pagamento da dívida), dos juros altos e do câmbio adverso, a atividade econômica dá sinais de vigor. É verdade que outros emergentes parecem ainda melhor. Os dados da revista The Economist mostram que a China cresce a 11,5%; a Índia, a 7,9%; a Rússia, a 7,2%; a Malásia, a 6,0%; e o Paquistão, a 6,4%. Mas o crescimento brasileiro é firme. A evolução de 5,7% sobre o terceiro trimestre do ano passado é a maior desde 2004. E vem sendo positiva desde 2002.Seguem três observações: (1) O investimento está respondendo. Seria preocupante se o consumo saísse a galope sem perspectivas de aumento da capacidade de produção. Não é o que acontece. Enquanto o consumo das famílias avança um pouco abaixo dos 6%, o investimento cresce mais do que o dobro deste. Até outubro, cresceu 12,4% quando comparado com o mesmo período de 2006. E em 12 meses, 12,1%. Isso, evidentemente, não é tudo. É preciso que a infra-estrutura não fique para trás. Ainda não foi afastada, por exemplo, a ameaça de apagão na oferta de energia elétrica. E, enquanto esse problema não for equacionado, o crescimento futuro estará comprometido.(2) No segundo trimestre, os números correspondentes ao comportamento do setor agropecuário vieram inexplicavelmente acanhados. Mas o novo PIB tira o atraso: é uma alta de 4,3% no acumulado do ano e de 5,4% em 12 meses.(3) Quanto maior a velocidade de agora, maior o embalo para o ano que vem. Um bom desempenho neste ano - e ele deve ser acima dos 5% - é garantia de que a economia já entra em 2008 com mais força do que entrou em 2007.O lado ruim dessa notícia boa é, mais uma vez, político. Como das outras vezes, vai crescer a charanga de que este país não precisa de arrumação para progredir. Como exigem distribuição de contas a pagar e custos políticos, os projetos de reforma (previdenciária, tributária, trabalhista e política) serão mais insistentemente empurrados para dentro da gaveta.ConfiraOperação conjunta - Cinco grandes bancos centrais decidiram agir coordenadamente contra a crise dos créditos hipotecários podres. São o Fed (Estados Unidos), o Banco Central Europeu (da área do euro), o Banco da Inglaterra, o Banco do Canadá e o Banco da Suíça.São remadores poderosos que, finalmente, estão remando na mesma direção.O lado negativo é o de que agora ficou claro que a crise é mais grave do que antes admitida, a ponto de exigir ação conjunta de grande envergadura.

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