Um plano para a infraestrutura

Quinto maior país do mundo em extensão territorial, o Brasil tem enorme potencial para se tornar líder mundial na produção de alimentos, de acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Hoje, oito entre os dez itens mais exportados pelo Brasil são produzidos pelo agronegócio, setor que tem papel importante no equilíbrio da balança comercial. Ao mesmo tempo, o País possui um mercado interno com muitas possibilidades a serem exploradas no setor de consumo e serviços, que dependem da rede de logística para ampliação do alcance. O e-commerce brasileiro movimenta hoje R$ 41,3 bilhões, ante US$ 305 bilhões no mercado norte-americano.

Carlo Lovatelli*, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 05h00

Os dois cenários apresentados – a necessidade de ampliarmos nossas exportações, bem como a de ampliar a distribuição interna do que se produz – têm um problema em comum que impede o País de crescer: a infraestrutura de transporte. A má qualidade das rodovias brasileiras, modalidade de transporte que representa 67% do total, é apontada como responsável pelo aumento de 30,5% do custo operacional para o escoamento dos grãos, conforme dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Para o e-commerce, o frete representa até 62% do custo dessas empresas.

Precisamos ter redes de escoamento da produção compatíveis com a nossa capacidade produtiva. O Brasil necessita, com urgência, adequar sua infraestrutura para a sua geografia social e econômica, a fim de explorar as potencialidades do interior do País e as necessidades da população de cada região, diminuindo as desigualdades regionais, imprescindível também para a agilidade e o barateamento dos custos logísticos.

E isso não pode ser feito apenas para atender a uma necessidade imediata. Na mesma medida, é preciso investir em estudos e inovações, que diminuam os impactos ambientais na construção de infraestruturas de transporte e com alternativas que reduzam a emissão de CO2 na atmosfera, com redes inteligentes, descentralizada e que encurtem as distâncias.

Deste modo, cada ator é essencial para contribuir com melhorias e inovação nesse setor, mas essas mudanças devem ser encabeçadas pelo governo, que precisa ter definidos planos com fixação de prioridades e metas, determinando as obras necessárias com a melhor relação custo-benefício para o País. As metas devem ser acompanhadas de avaliação transparente, periódica e profunda do seu andamento, e o diálogo com os diversos setores da economia deve ser aberto, construtivo, de forma que permita correção de rumos.

A iniciativa privada deve ainda ser estimulada a atuar em parceria com o setor público para a elaboração e execução de projetos de boa qualidade, com menor custo para a sociedade e ao menor tempo possível. Sempre considerando o que cada setor tem para contribuir com dados, expectativas e planos de investimentos no País.

Do mesmo modo, o setor acadêmico tem muito a contribuir, por meio de pesquisa e inovação, atuando como parceiro do governo e da iniciativa privada. A demanda por criar um intercâmbio entre as intuições de pesquisa e a sociedade é urgente e o Brasil não tem tempo a perder.

Por esses desafios e pela necessidade de lançar luz sobre esta área de conhecimento, “Infraestrutura de transportes” foi o tema escolhido pela 61.ª Edição do Prêmio Fundação Bunge, criado para incentivar as ciências, as letras e as artes, para homenagear o poder transformador dos indivíduos na sociedade e estimular novos talentos. Precisamos incluir esse tema entre as urgências do País.

*É presidente da Abiove e vice-presidente da Fundação Bunge

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.