Um presente de Natal indesejado: a demissão

Corte de custos acelera desemprego

, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 00h00

A fila de homologações das demissões começa cedo. A partir das 6 horas, o número de desempregados só aumenta em frente à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE). São pessoas que acabaram de perder o sustento, a poucos dias do fim do ano. Edmilson Joaquim da Silva, de 25 anos, é um deles. Até novembro, ele trabalhava de ajudante geral em uma confecção do Bom Retiro. Depois de um ano de trabalho, foi demitido por causa do corte de custos. "Disseram que os pedidos diminuíram e tiveram de reduzir a equipe." O emprego foi a razão de sua vinda para São Paulo. Antes, Silva tentou de tudo. Saiu do interior da Bahia para Salvador, onde conseguiu emprego na instalação de antenas de celular. De lá, foi para o Recife trabalhar como manobrista. Veio para São Paulo por indicação de uma prima. "Agora, estou meio perdido, acho que vou fazer um curso de capacitação."Situação semelhante vive o pintor José Francisco Ramos, de 58 anos. Foi demitido depois que os patrões resolveram diminuir o ritmo da obra em que trabalha. "Quando começou essa crise, o serviço parou." Hoje, faz bicos para se sustentar e já pretende pedir o seguro-desemprego. Na obra, Ramos ganhava entre R$ 750 e R$ 860, conforme o volume de horas extras. Com os bicos, diz que consegue manter a renda suficiente para sustentar os quatro filhos. "Trabalho por R$ 50 a hora e até agora consegui serviço." O analista de contas médicas Bruno Herbert, de 21 anos, foi demitido em novembro. Trabalhava na Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), responsável pelo plano de saúde dos bancários. "A demissão foi parte de uma medida de reestruturação interna, que cortou 400 funcionários." Herbert tenta ver o lado positivo do desemprego. Acha que a demissão faz parte de uma série de mudanças em sua vida. Ele trabalhou por seis anos na Cassi, onde começou como estagiário, aos 15 anos. De lá para cá, encontrou uma namorada e entrou na faculdade. Agora, está prestes a se formar em Administração pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e deve se casar em janeiro. "Espero estar empregado."

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