Um semestre de forte ajuste nas contas externas

Depois de registrarem um resultado excepcionalmente positivo entre janeiro e junho, as contas cambiais deverão mostrar avanço mais lento neste semestre

O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2016 | 03h00

Depois de registrarem um resultado excepcionalmente positivo entre janeiro e junho, as contas cambiais deverão mostrar avanço mais lento neste semestre, segundo o chefe do departamento econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel. O déficit em conta corrente não deverá ser eliminado neste ano, como previam alguns analistas até junho, e algumas despesas deverão aumentar, como as de serviços. Mas estas são consequências da valorização do real e da perda de força da recessão – motivo de regozijo, não de preocupação.

O déficit corrente de quase US$ 2,5 bilhões em junho já superou a média das expectativas dos especialistas e as previsões oficiais. Mas esse déficit foi de apenas US$ 8,4 bilhões no primeiro semestre e o BC prevê US$ 15 bilhões no ano, enquanto analistas privados calculam até US$ 23 bilhões.

Em qualquer hipótese, são números confortáveis: o desequilíbrio é financiado com folga pelos investimentos diretos. Nos últimos 12 meses, esses investimentos, de US$ 78 bilhões, corresponderam a 4,42% do PIB, para um déficit corrente de US$ 29,4 bilhões (1,67% do PIB).

O déficit correspondeu à metade dos 3,33% do PIB registrados em 2015. Em julho, o déficit corrente deverá alcançar US$ 4,3 bilhões, segundo o BC, o que não causa apreensão.

O ajuste do primeiro semestre se explica pela intensidade da recessão. Entre os primeiros semestres de 2015 e 2016, as importações caíram mais de US$ 25 bilhões, de US$ 92,6 bilhões para US$ 67,3 bilhões. As despesas com serviços (como aluguel de equipamentos, viagens e transportes) diminuíram de US$ 20,4 bilhões para US$ 14,8 bilhões. É provável que o gasto volte a subir.

A melhora das contas cambiais no biênio 2015/2016 foi enorme: em dezembro de 2014, o déficit corrente era de US$ 104,1 bilhões. O ajuste foi necessário, sem que se esqueça de que déficit corrente corresponde à poupança externa que ingressa no País. Superávits correntes indicam que o Brasil transfere recursos líquidos para o exterior, algo estranho num país carente de capitais. O ajuste cambial deve ser, portanto, transitório. Melhor é equilibrar saídas e entradas.

Com superávit, reservas crescentes de US$ 376,2 bilhões em junho e dívida cadente de US$ 352,8 bilhões em 2014 e US$ 332,6 bilhões em junho de 2016, o Brasil tem baixo risco cambial. Isso é necessário para atrair investidores e recuperar o grau de investimento, quando as contas fiscais permitirem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.