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Um setor em clima de festa

Eventos no Brasil movimentam R$ 32 bilhões e exigem criatividade

Leonardo Pessoa, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

O Brasil realiza perto de 900 eventos por dia - seja no formato de feira, congresso, coquetel, exposição, premiação, treinamento, show e pequeno encontro, entre outros. E cerca de 80 milhões de pessoas em 54 setores da economia participam direta ou indiretamente desse mercado, estimado em R$ 32 bilhões ao ano, segundo a Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux (FBC&VB).Os números surpreendem? Não para quem atua no setor e acompanha de perto esse agito. Para este ano, a estimativa é de um crescimento de 7% a 10%, calcula Simone Saccoman, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc), entidade que reúne 500 pequenas e médias empresas. ''Diante desse cenário, as oportunidades que se abrem para o empreendedorismo são inúmeras e, dessa forma, restaurantes, hotéis, casas noturnas, lojas, fornecedores de serviços diversos têm a possibilidade de desenvolver estratégias comerciais e de marketing para atender ao crescente público do setor'', diz. Nos grandes eventos como os abrigados em São Paulo - Fórmula 1, shows internacionais - toda uma cadeia acaba beneficiada. ''Mesmo nessa crise o setor de eventos pode ser impactado positivamente, pois muitos setores promovem debates para discutir o problema'',diz a representante da associação.Duas amigas paulistanas ilustram esse propício momento da atividade no País. Ao prospectar um nicho na área gastronômica, arriscaram um negócio. ''Vimos que faltava uma fornecedora de alta gastronomia preocupada com uma apresentação inovadora dos pratos'', diz Alessandra Divani. O diferencial levou a Divani & Fusco a tornar-se referência no mercado de luxo paulistano, por meio da propaganda boca-a-boca. Além de fazer eventos reservados, o mercado corporativo incrementa o desempenho financeiro da empresa. ''Batemos nossa meta para o ano em outubro'', diz Juliana Fusco. As sócias devem finalizar o ano com R$ 1,2 milhão de faturamento, 25% maior que o obtido no ano passado. Outra fonte de negócios da empresa é a consultoria de cardápio. ''Fazemos o almoço da presidência e diretoria da Duratex, entre outros'', revela. Alessandra planeja investir na ampliação do espaço físico em 2009 para atender o aumento da demanda. ''Será nossa segunda mudança, por conta do crescimento dos negócios'', diz.Longe do poderoso mercado paulistano, as empresárias paraibanas Luciene e Denize Cantalice ainda não reúnem resultados muito expressivos na Idealize Eventos, com sede em João Pessoa. Acreditam, porém, que o fortalecimento da indústria de eventos local é questão de tempo. ''Hoje, atuamos mais na montagem de estandes de feiras e congressos como terceirizadas''. E para não depender de uma demanda ainda incipiente, segundo elas, também fazem trabalhos em Fortaleza, Natal, Sergipe e até Salvador. ''Como somos novas na atividade, não facilita muito na hora de uma empresa nos contratar. De todo modo, se o mercado paraibano não estivesse enfraquecido, com a falta de infra-estrutura e apoio do governo para estimular mais eventos, seria outra história. Apostamos que haja bom potencial para o setor crescer por aqui'', acredita. Dados colhidos pelo Sebrae dão conta que o turismo de eventos na Paraíba gerou mais de R$ 30 milhões para a economia local nos últimos três anos e mais de 80 eventos foram captados até o final de 2007, programados para acontecer até 2010.Animado também com o desenvolvimento do setor e seu potencial de lucratividade, o proprietário do Tanta Restaurante, Eric Thomas, investiu R$ 500 mil numa casa dedicada exclusivamente a eventos na zona oeste da capital paulista. ''Além do ambiente diferente que montamos, ligado à cultura marroquina, nossa idéia é seguir a lei do mínimo esforço para o cliente'', afirma. Ou seja, o Tantra Eventos se incumbe de todos os detalhes. Thomas conta que muitas empresas têm preferido fazer treinamentos de funcionários em lugares menos formais que os hotéis. ''Mais recentemente, decidi focar ainda nas crianças de até 14 anos, o que garante negócios em dias e horários que o segmento corporativo não usa, como domingo à tarde'', explica. Geralmente, a cada evento, o custo por convidado fica em torno de R$ 100. ''Não temos do que reclamar. Seguimos em ritmo bem forte. As empresas, principalmente, não economizam nos eventos'', celebra.Simone Saccoman, da Abeoc, acredita que, embora o setor ainda careça de mais atenção, há roteiros com forte potencial na área de eventos, incluindo os internacionais, que fizeram do Brasil o único país latino-americano a figurar na lista dos 10 Mais da International Congress & Convention Association (ICCA). Atrás de São Paulo, segundo ela, aparecem Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Fortaleza, Florianópolis, Foz do Iguaçu, Ouro Preto, Campinas.Rinaldo Zaina Junior, professor coordenador de Administração e Organização de Eventos do Senac, explica que, fora dos grandes centros, algumas iniciativas inovadoras podem alavancar negócios do setor. ''Vejo no interior de São Paulo algumas casas de espetáculo firmando uma espécie de franquia com empresas interessadas em promover suas marcas por meio de eventos. Essa é uma oportunidade interessante para os empresários regionais'', diz. O professor menciona outros nichos que merecem atenção, caso dos eventos funerais. ''Apesar do preconceito que ronda, essa tradição americana do velório mais bem organizado pode avançar por aqui'', acredita. Em São Paulo, um exemplo disso foi a inauguração da Funeral Home, em setembro, casa especializada em velórios para a alta renda. Outro segmento mal explorado que reserva boas oportunidades é o de eventos gastronômicos e, principalmente, o transporte de convidados, acrescenta Zaina. É o caso da atividade ligada a brindes corporativos e promocionais para eventos, que fez a Dreams, consultoria de idéias na criação de presentes, despontar. ''Devemos dobrar o faturamento do ano passado. A agência passou a se concentrar nesse nicho há um ano e meio'', afirma a empresária Fernanda Lancellotti.''Fornecedores que consigam imprimir diferenciais à atividade tendem a ganhar seu lugar ao sol, já que a tendência do calendário de eventos é aumentar. Serão procurados profissionais com alguma especialização, como hostess e pessoal de recepção, além de pessoal ligado à tecnologia de som e imagem. É uma cadeia poderosa'', comenta Zaina.

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