''Um setor não foi mais beneficiado do que outro''

Miguel Jorge: ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Ministro contesta informação dada pelo ?Estado? com base em estudo feito pelo Iedi, divulgado ontem

Entrevista com

Tânia Monteiro, SAN SALVADOR, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 00h00

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, contestou dado divulgado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), de que a indústria automobilística foi a mais beneficiada pelos incentivos fiscais concedidos pelo governo no pacote da nova política industrial. De acordo com o estudo, dos R$ 6,1 bilhões em desonerações fiscais previstas para estimular os investimentos dos diversos setores da indústria até 2011, as montadoras e os fabricantes de autopeças vão ficar com R$ 3,2 bilhões, o que representa mais da metade (52,8%) dos subsídios. Segundo Miguel Jorge, "em quatro anos o setor vai receber cerca de R$ 3 bilhões de um total de R$ 22 bilhões de desoneração. De R$ 22 bilhões para R$ 3 bilhões, temos aí 12% a 14% que é muito longe de metade que é 50%", disse ele. O ministro disse que não considera que um setor tenha sido mais beneficiado do que o outro. A seguir, a entrevista do ministro concedida em El Salvador, onde acompanha o presidente Lula em visita ao país.Por que a política industrial beneficiou o setor automotivo com metade dos incentivos fiscais?Não é verdade isso. Qual o volume de recursos que beneficiou o setor? O volume de recursos que beneficia um setor indiretamente porque beneficia, por exemplo, o fabricante de máquinas e equipamentos, que podem vender melhor o produto dele. Em quatro anos, o setor vai receber cerca de R$ 3 bilhões de um total de R$ 22 bilhões de desoneração. De R$ 22 bilhões para R$ 3 bilhões, temos aí 12% a 14% que é muito longe de metade.Mas o setor automotivo não foi o mais beneficiado pela política industrial? Não, há setores que dizem que o mais beneficiado foi o setor de tecnologia de informação, que teve a desoneração da folha de pagamento. Até agora, é a primeira vez que ouço falar nisso. Eu tive acesso à carta do Iedi na segunda-feira, a caminho do Haiti. Ela faz uma avaliação muito positiva da política de desenvolvimento e não coloca em nenhum momento essa questão. Eu não vi isso na carta do Iedi, a não ser que seja uma informação de ontem, a que não tive acesso porque estava no Haiti. Qual o dado que o sr. tem? O dado real é que não tem metade. A repercussão disso seria de tal obviedade que, 24 horas depois, os setores já teriam feito esta conta e reclamado. Este é um setor responsável por 20% da produção industrial do Brasil e é importante registrar que esta desoneração específica é para aumento de capacidade, que é uma das preocupações que nós temos com os gargalos de produção. A capacidade de produção da indústria automobilística nominal é de 3,8 milhões (de veículos por ano). Este ano, estamos produzindo 3,6 milhões de carros. Queremos chegar a 2010 a uma capacidade entre 5 milhões e 5,5 milhões de veículos. Na terça-feira fizemos a oitava reunião da política industrial justamente com o setor automotivo e eles anunciaram investimentos de US$ 20 bilhões até 2010, sendo US$ 10 bilhões das montadoras e US$ 10 bilhões das autopeças. Qual setor foi mais beneficiado? Nós não consideramos que um setor tenha sido mais beneficiado do que o outro. Você pode dizer que o setor de máquinas foi o mais beneficiado porque não só tem a depreciação acelerada das máquinas brasileiras, portanto, os empresários comprarão muito mais máquinas brasileiras do que as importadas. Segundo, você terá financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) de 5 a 10 anos para máquinas e nenhum outro setor tem essa opção, e isso vai aumentar muito .

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