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Antônio Penteado Mendonça
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Um setor resiliente

Enquanto obras estão paradas sem previsão de retomada e investimentos estão suspensos, seguradoras e corretores mostram fôlego para atravessar a crise

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2017 | 05h00

O Brasil vive sua maior crise. Ninguém tem dúvida que o PT conseguiu a proeza de montar o pior cenário de toda nossa história ou, como diria o líder da turma, nunca antes se viu alguma coisa parecida. Nem tão ruim. Ao contrário do que se diz, o legado do Lula não é a mesa farta, nem milhões de pessoas inseridas na sociedade de consumo. O legado do Lula é a herança da Dilma, representada por mais de 14 milhões de pessoas que perderam seus empregos e mais de 20 milhões que sequer procuram emprego. Só isso seria suficiente para que ela fosse retirada da Presidência da República, não por má prática ou ferir a ética, mas por incompetência.

Mas o estrago é muito maior. Empresas que estavam entre as maiores do mundo, não porque eram de amigos do rei, mas porque eram competentes, foram sugadas até perderem todos os ratings que as faziam “top de linha”. A corrupção e a incompetência se espalharam feito queimada em pasto seco e atingiram praticamente todas as áreas do setor público, com evidentes reflexos na iniciativa privada que, até agora, é a única a pagar o preço.

A sangria foi forte. A indústria nacional foi sucateada e a economia jogada para padrões dos anos 1930. O Brasil tornou-se exportador de produtos agrícolas em natura e minério e, graças a Deus, nestas áreas não perdemos a competência, nem a competitividade.

A indústria automobilística gira com menos da capacidade instalada, a construção civil teve um número absurdo de imóveis devolvidos, o comércio até há pouco tempo não vendia quase nada e mesmo a recente retomada das vendas precisa ser vista com cautela porque a base de comparação é baixa.

É neste cenário que o desempenho da economia deve ser analisado. E é neste cenário que o setor de seguros, apesar de sofrer com a crise, tem se mostrado extraordinariamente resiliente a ela.

Entre secos e molhados, não aconteceu nenhuma quebra de seguradora em função da crise. As intervenções feitas pela Susep (Superintendência de Seguros Privados) liquidaram algumas companhias pequenas, que adotaram políticas comerciais impróprias e por isso não aguentaram o tranco.

É verdade, ao longo dos últimos anos, os planos de saúde privados perderam mais de 3 milhões de vidas, o que abalou significativamente o resultado de centenas de operadoras menores, mas não conseguiu atingir o setor como um todo. Os resultados estão longe de serem bons, mas o sistema continua funcionando eficientemente, contribuindo com mais de metade do dinheiro destinado à saúde pelo País.

As seguradoras de veículos sentiram o impacto da retração brutal que atingiu a indústria, mas também continuam funcionando regularmente, apesar do aumento da sinistralidade, em consequência do aumento dos roubos e da falta de manutenção.

As grandes obras públicas estão paradas e não há previsão para sua retomada. Os investimentos em novas plantas pela iniciativa privada também estão praticamente suspensos e os encarregados dos seguros das grandes empresas estão cortando onde podem.

Os seguros de pessoas sentiram o desemprego, que impactou diretamente os seguros de vida e acidentes pessoais, normalmente oferecidos pelas empresas para seus colaboradores.

Os corretores de seguros sentiram, e ainda sentem, a retração da economia no faturamento de seu negócio. A maioria tem foco nos seguros de veículos e, consequentemente, enfrentam dificuldades para captarem novos negócios e mesmo para manterem os existentes. 

Num cenário como este, deveria ser regra os números ruins levarem empresas de todos os tipos e tamanhos a dificuldades muito sérias. No entanto, não é isso o que se vê.

Ainda que com os números da previdência complementar aberta e dos planos de capitalização melhorando o quadro, o que poderia ser tomado para explicar a deterioração menor do setor, a verdade é que seguradoras e corretores de seguros estão mostrando fôlego para atravessar a tormenta. Isso é muito bom para todos, mas principalmente para o segurados, que continuam recebendo suas indenizações. 

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