Um time de basquete para Steve Ballmer

Ex-diretor executivo da Microsoft comprou o Los Angeles Clippers por US$ 2 bilhões

The New York Times, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2014 | 04h38

 

 

 

O ex-diretor executivo da Microsoft, Steve Ballmer, de 58 anos, comprou o time de basquete da NBA Los Angeles Clippers por US$ 2 bilhões, o maior negócio da história do esporte.

 

 

Se aprovada pelo Conselho de Administração da Associação Nacional de Basquete (NBA, em inglês), a transação encerrará uma situação preocupante para a liga que baniu o antigo proprietário do time, Donald Sterling, por causa de comentários racistas feitos em uma conversa telefônica particular que foi gravada e vazou para o site de notícias TMZ.com durante o período das semifinais (os chamados playoffs).

 

 

"Eu amo basquetebol", disse Ballmer em comunicado. "E pretendo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que o Clippers continue a ganhar - e ganhar muito - em Los Angeles."

 

 

Na quinta-feira, Ballmer se tornou o último candidato de uma série vertiginosa de ofertas que começou quando a NBA anunciou, no mês passado, que obrigaria Donald Sterling a vender o time.

 

 

Rochelle Sterling, esposa de Donald e coproprietária dos Clippers, assinou o acordo com Ballmer, que em 2013 fez parte de um grupo de investidores que tentaram adquirir sem sucesso o time de basquete Sacramento Kings.

 

 

"Estou muito contente que estamos vendendo a equipe para Steve, que será um proprietário fantástico. Nós trabalhamos por 33 anos para construir os Clippers como um time de primeira linha da NBA. Estou confiante que Steve vai levar a equipe para novos níveis de sucesso", afirmou Rochelle.

 

 

Recorde. Os US$ 2 bilhões pagos por Ballmer são o valor mais alto pago para um time da NBA, muito superior aos US$ 550 milhões pelos quais os Milwaukee Bucks foram vendidos recentemente. Os Dodgers da Major League de Beisebol, vizinhos dos Clippers em Los Angeles, foram vendidos por US$ 2,15 bilhões há dois anos.

 

 

Mas a diferença crucial é que os compradores dos Dodgers receberam muito mais pelo seu dinheiro: não só a equipe, como também o Dodger Stadium; um contrato de televisão local prestes a expirar e aceito pelos novos proprietários por vários bilhões a serem pagos a longo prazo pela Time Warner Cable para começarem sua própria rede; e uma joint venture para o estacionamento e o terreno ao redor do estádio com o antigo proprietário, Frank McCourt.

 

 

Além de um time em repentina ascensão com um passado péssimo, Ballmer teria um centro de treinamento e um leasing no Staples Center que excluiria o faturamento das suítes de luxo. O time, já com os novos proprietários, se beneficiaria de uma receita extraordinária prevista em seu próximo contrato de direitos de transmissão de TV e na próxima série de negócios da NBA. Os novos contratos locais e da liga iniciarão na temporada 2016-17.

 

 

Disputa. O Los Angeles Clippers recebeu três propostas de compra. Uma do grupo do qual fez parte a empresária americana Oprah Winfrey; o magnata do entretenimento David Geffen; o magnata do software e diretor da Oracle Larry Ellison; e dois dos principais executivos da Guggenheim Partners, Mark Walter e Todd Boehly, que montaram o grupo que adquiriu os Dodgers há dois anos. 

 

 

No segundo grupo está Anthony P. Ressler, diretor da gestora de private equity Ares Management, e o ex-jogador da NBA Grant Hill. 

 

 

Ballmer apresentou sua proposta sozinho.

 

 

A compra dos Clippers abre um novo capítulo na vida de Ballmer, bilionário da área de tecnologia que ultimamente não tem muito o que fazer. 

 

 

Ele deixou o cargo de diretor executivo da Microsoft no início deste ano, sob pressão do seu conselho de diretores para que acelerasse sua aposentadoria, enquanto a companhia enfrentava dificuldades em vários mercados-chave abertos recentemente. Para seu lugar a Microsoft elegeu o indiano Satya Nadella.

 

 

Reportagem de Scott Cacciola e Richard Sandomir/Tradução de Anna Capovilla

 

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