Um tipo para cada perfil ou exigência

Novo ou usado? Casa ou apartamento? Construir ou não? Saiba o que avaliar antes de decidir

Ivan Martínez, Especial para O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 02h14

Não existe resposta pronta sobre qual é a melhor opção na hora de comprar um imóvel: casa ou apartamento, novo ou usado, terreno ou construído. A decisão varia de acordo com o perfil do comprador e requer planejamento e paciência.

Há seis anos, quando alugaram o apartamento onde vivem hoje, no bairro do Cambuci, em São Paulo, o arquiteto Robert da Cunha e sua mulher, Eliza, estavam felizes com a localização e com o tamanho do imóvel. Mas a situação mudou três anos depois quando o casal teve sua primeira filha.

"Com a chegada da Sarah, decidimos comprar um lote de 150 m² para construir uma casa que atendesse melhor às necessidades da família", conta o arquiteto.

Na hora da compra, além do espaço, levaram em conta a localização do imóvel. Acabaram comprando fora da capital, na cidade de Vargem Grande Paulista, um lugar mais perto do emprego de Eliza, funcionária pública em Itapevi. Eles não tiraram os planos de construção do papel e, há dez meses, chegou Jade, segunda filha do casal.

Agora, eles se preparam para iniciar as obras, mas também cogitam adquirir uma casa já pronta em função da provável demora na construção.

Paciência. Para o presidente do Creci-SP, José Viana Neto, comprar um lote permite economizar bastante na obra e personalizar a casa. "Você pode deixar o imóvel com seu estilo, tem mais liberdade. Os custos são menores, mas uma obra exige conhecimento e paciência, porque pode demorar anos", diz.

Segundo ele, para quem tem idosos e crianças na família e não quer esperar tanto tempo, é mais vantajoso comprar uma casa já construída em um condomínio fechado.

A principal vantagem dos imóveis usados é a maior opção de escolha na localização desejada para o comprador. "Há bairros mais tradicionais que dificilmente têm áreas disponíveis para novos lançamentos", explica Vâner Rossener, diretor da Imobiliária Aloísio, especializada na venda de usados. Esses imóveis, mesmo os apartamentos, costumam ser mais espaçosos do que os mais novos, apesar de não contar, na maioria das vezes, com área de lazer e itens como piscina, academia e sauna.

Mais espaço. A melhor relação entre localização, área e custo foi o que levou Nancy Moraes, de 78 anos, que morava em um apartamento no bairro de Perdizes, São Paulo, a mudar-se para a Barra Funda há oito anos. Hoje, ela mora com a filha e dois netos em um apartamento de três dormitórios, com 150 m², e está satisfeita. "Não faço questão de ter piscina nem luxo no prédio. Prefiro espaço", conta.

Além das opções de lazer, imóveis novos podem oferecer uma forma de pagamento mais vantajosa, especialmente quando é adquirido ainda na planta, como afirma Marcelo Moralles, da imobiliária Fernandez Mera. "Há facilidade de compra. Você paga 30% do valor em três anos e só depois assume outros 70%. No caso do imóvel usado, é preciso ter um capital inicial grande. Pode até pagar mais barato, mas em função da depreciação do imóvel", destaca.

Já Viana Neto ressalta que nem sempre o preço do imóvel na planta é menor do que o do imóvel pronto e entregue."Em alguns casos, o que se observa é preço de imóvel acabado", diz. "O melhor é comparar o preço do metro quadrado do imóvel com o de outros novos de mesmo perfil na mesma região."

Segurança. A principal vantagem dos apartamentos em relação às casas é a segurança, mas nem sempre isso é real. Edifícios mais antigos, muitas vezes, não têm porteiro nem zelador. Deve-se ter em mente, também, que o valor das taxas depende, além dos serviços oferecidos, da manutenção feita pela administração e do número de imóveis que vão dividir os custos.

Segundo Marcio Bagnato, diretor de condomínios da Habitacional, prédios mais antigos, por terem apartamentos mais espaçosos, possuem menos unidades por bloco, o que aumenta o valor do condomínio, mesmo que não ofereça serviços. Ter funcionários próprios também costuma ser mais caro do que contratar empresas para terceirizar os serviços de segurança e a manutenção.

Lazer. "No caso de empreendimentos mais recentes, existem mais unidades, o que permite conciliar a oferta de serviços e lazer como piscina e academia com taxas razoáveis", afirma Bagnato. Segundo ele, o ideal é que o condomínio tenha mais de 200 unidades.

Além do preço, o comprador precisa estar atento à situação financeira e legal do empreendimento. Bagnato recomenda pedir ao síndico as atas de reunião e os últimos balancetes. Ali, é possível ter ideia dos custos envolvidos e descobrir dívidas.

"Checar se o condomínio tem problemas na Justiça, se é réu em processos trabalhistas e se, nas atas, consta alguma situação grave de conflito que possa gerar uma demanda judicial no futuro também é essencial", afirma o executivo.

Quanto aos novos blocos de edifícios, o cuidado maior deve ser na verificação do registro de incorporação da obra e da idoneidade das empresas responsáveis pelo empreendimento. É preciso ter atenção a detalhes como as vagas na garagem. No caso de imóvel usado, os prédios já tem isso demarcado, e elas podem ser cativas. Mas, em novos, as vagas são muitas vezes definidas por sorteio realizado na primeira reunião de condôminos - podendo mudar de tempos em tempos.

Dilema. Depois de analisar todos esses itens, é provável que o potencial comprador elimine boa parte das opções e fique em dúvida entre duas opções no máximo, como Robert e Eliza. No caso deles, a indecisão tem prazo para acabar. "Em um ano já teremos iniciado a obra ou dado entrada na compra de uma casa pronta", diz ele.

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