Um tom acima na preocupação com a inflação persistente

ANÁLISE: José Paulo Kupfer

O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2013 | 02h04

No sistema de metas de inflação, a prioridade do Banco Central é manter a inflação sob controle, fazendo-a convergir para o centro da meta. Contudo, isso não significa, como defendem alguns, que a trajetória do nível de atividades deva ser simplesmente ignorada.

A evolução dos preços é influenciada pelo comportamento da economia e, portanto, essa variável, ainda que não configure uma meta a ser perseguida, tem óbvio peso nas decisões sobre os juros básicos. É o caso de ter coisas assim em mente para entender as mensagens da ata da última reunião do Copom, divulgada ontem. As menções aos sinais de recuperação da economia no primeiro trimestre, sem igual convicção sobre os próximos, dá o tom para que se avalie o tamanho da dose e até onde pode ir o ciclo de altas dos juros, iniciado em abril.

A ata não deixa dúvidas sobre a preocupação do Copom com o persistente estacionamento da inflação acima do centro da meta. Se dúvidas restassem, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, em discurso também ontem, em São Paulo, tratou de dissolvê-las. Ele avisou que o BC poderá ser "instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária (da taxa Selic)".

Essa ênfase uma nota acima das comunicações anteriores, no entanto, veio temperada na ata pelas incertezas a respeito da recuperação da economia - tanto a doméstica quanto a internacional. Foi o que levou analistas a reafirmar a expectativa, formada logo depois da decisão de elevar os juros básicos em 0,25 ponto, de que a estratégia do BC é promover a elevação dos juros básicos em sucessivas pequenas doses. Mas agora com a possibilidade de estender o ciclo de alta além do imaginado antes da ata.

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