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Uma avaliação do trabalho de Bernanke

Os presidentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) tendem a permanecer no cargo durante um período longo. Nos 75 anos transcorridos desde 1934, houve apenas 9 nomes diferentes no comando do Fed, enquanto os ocupantes da Casa Branca foram 13 ao longo do mesmo intervalo.Houve momentos, nos últimos três anos e meio, em que Ben Bernanke, o atual presidente do Fed, pareceu um forte candidato a reverter essa tendência e ter uma permanência mais breve.Bernanke substituiu Alan Greenspan, cuja reputação estava altíssima, na época, fruto da recuperação da economia americana após a recessão das empresas ponto.com. Greenspan, de acordo com o título de um livro de Bob Woodward, foi "o maestro" e havia dúvidas quanto à capacidade do meticuloso Bernanke de calçar os sapatos dele.Ao longo dos últimos dois anos, Bernanke esteve lidando com a bagunça deixada por seu antecessor. A crise financeira e a quebra da economia ocorridas nos últimos 24 meses mancharam a reputação de Greenspan. Ele é considerado culpado por usar dinheiro barato para inflar a bolha do preço dos ativos que mascarou problemas estruturais nos EUA e no sistema financeiro global.Os críticos de Greenspan o citam agora ao lado dos dois infames presidentes do Fed durante a década de 1970, Arthur Burns e Bill Miller, culpados de terem adotado uma abordagem considerada excessivamente permissiva diante da inflação.Burns foi nomeado para o cargo por Richard Nixon, depois dos 19 anos de presidência de William McChesney Martin, famoso por dizer que o trabalho do Fed era "levar embora o ponche quando a festa começa a ficar animada".Nixon culpou Martin por sua derrota na eleição de 1960 e deixou claro para Burns que desejava ver a manutenção do crédito barato, em antecipação às eleições presidenciais de 1972.Ao final dos anos 1970, a preocupação dentro do governo Jimmy Carter com a possibilidade da inflação estar alta demais levou à indicação de Paul Volcker para a presidência do Fed. Volcker adotou medidas que provocaram um aperto draconiano na política monetária e levaram os juros a ultrapassar brevemente os 20%, fazendo com que a economia americana mergulhasse na sua recessão mais profunda desde a década de 1930.A tarefa de Bernanke tem sido a oposta: impedir que o declínio provoque deflação. As opiniões estão divididas diante das perspectivas para o seu segundo mandato.Uma escola diz que os EUA estão no rumo de uma recuperação robusta e sustentável. Outra escola acredita que um segundo mergulho e uma recessão seriam iminentes. Uma terceira diz que Bernanke ignorou o risco representado pela inflação e certa dosagem do remédio de Volcker pode se fazer necessária.*Larry Elliott é jornalista

Larry Elliott*, THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

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